A obesidade, um dos principais problemas de saúde pública, foi incluído em vários simpósios e conferências durante o CBEM 2024. Tópicos como o tratamento da obesidade na população de baixa renda e a combinação sarcopenia e obesidade foram discutidos para reflexão e atenção dos especialistas.
Tratamento da Obesidade em População de Baixa Renda
Na mesa, a Dra. Nara Nóbrega e a Dra. Lívia Lugarinho reforçaram a necessidade de voltar às atenções para encontrar saídas à falha na terapia medicamentosa. De acordo com as endocrinologistas, atualmente não há no Sistema Único de Saúde (SUS) medicamentos para tratar a obesidade, e sim só medicações para tratar as suas complicações como diabetes, hipertensão, colesterol etc.

A Dra. Nara também pontuou questões que precisam de melhorias como: o tratamento multidisciplinar, medicação mais eficaz para a perda de peso, acompanhamento individualizado e regular, além do acesso à cirurgia bariátrica.
Ela destacou que é fundamental que as autoridades pensem em políticas públicas para melhorar o atendimento dessas pessoas. “A mudança deve vir através de políticas públicas com prevenção, educação, inclusão de medicamentos mais eficazes, serviços especializados para reduzir a superlotação nos serviços que já existem.”
Para a Dra. Lívia também é muito importante ampliar o atendimento. Segundo a endocrinologista, atualmente, o acesso de pacientes com IMC abaixo de 35 e sem comorbidades relevantes é mais complicado.
A especialista acrescentou, ainda, a importância de pensar na adaptação do paciente dentro da unidade de saúde. “Adaptar o ambiente também é importante. No IEDE, adaptamos cadeiras, vasos sanitários, entre outras coisas para melhorar o atendimento e o acolhimento do paciente.”
Sarcopenia, Inflamação e Reganho de Peso
A Conferência, apresentada pelo Dr. Clayton Macedo e presidida pelo Dr. Lício Augusto Velloso, abordou a combinação sarcopenia e obesidade: baixa massa magra e excesso de massa gorda.

Ele ressaltou que os ciclos de variação de peso que envolvem repetidas perdas e ganhos afetam a composição corporal de forma significativa. No processo de perda de peso, perde-se massa gorda e também um pouco de massa magra. Já no reganho de peso, ganha-se apenas massa gorda.
Para o endocrinologista, que é presidente do Departamento de Endocrinologia do Exercício e Esporte, as intervenções devem priorizar estratégias que preservem a massa magra durante a perda de peso, com treino de resistência, alimentação saudável e suplementação, caso necessário.
“Que em um futuro próximo tenhamos drogas ou combinações de drogas que possam induzir perda de gordura, mantenham ou aumentem a massa magra e bloqueiem os “diabinhos internos” que fazem tudo para ciclar novamente.”