A SBEM e o Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade (DEFAT) listam 10 tópicos importantes sobre transgeneridade.
- Qual a diferença entre sexo e gênero?
O sexo é designado ao nascer como masculino ou feminino, usualmente baseado na aparência dos órgãos genitais externos. Quando os genitais externos são ambíguos, outros componentes do sexo (genitais internos, sexo cromossômico e hormonal) são considerados a fim de atribuir o sexo.
Já o gênero é a percepção intrínseca de uma pessoa de ser homem, mulher, ou alguma alternativa de gênero (por exemplo, não binário) ou combinação de gêneros. A identidade de gênero de uma pessoa pode ou não corresponder ao sexo atribuído ao nascer.
2. A orientação sexual faz parte da identidade de gênero?
Não. A orientação sexual corresponde à atração física e emocional de um indivíduo por outra pessoa, independentemente de sua identidade de gênero. Identidade de gênero e orientação sexual não são a mesma coisa.
3. O que significa ser transgênero?
O termo é usado para descrever pessoas cuja identidade de gênero difere, em diversos graus, do sexo designado ao nascer.
4. Diversidade de gênero ou de orientação sexual é doença?
Qualquer combinação entre sexo, identidade de gênero e orientação sexual pode ocorrer. Nenhuma dessas características é considerada uma doença. Essas características não são escolhas ou opções de vida. Elas são intrínsecas ao indivíduo, e fazem parte de como a pessoa se identifica.
5. O que é disforia de gênero?
A disforia, quando existe, está relacionada a um intenso sofrimento associado à não adequação ao sexo designado ao nascimento. Este sentimento de não pertencimento é muito individual e também depende da falta de suporte e discriminação social.
6. Como os profissionais da área da saúde podem ajudar?
Dentre as etapas da afirmação de gênero, a terapia hormonal permite que o corpo da pessoa trans se alinhe ao gênero de identidade. A Endocrinologia é uma especialidade médica capacitada para conduzir este tratamento com segurança e eficácia. Através deste tipo de atendimento os especialistas estão colaborando para que a pessoa trans passe a ter mais qualidade de vida, menos sofrimento psíquico, mais oportunidades e inclusão social.
7. Terapia hormonal de afirmação de gênero
Na mulher trans, a base da terapia hormonal é o estrogênio. O bloqueio da produção/ação de testosterona geralmente ocorre com o uso de doses adequadas de estrogênio com ou sem o uso concomitante de bloqueadores de testosterona. As mudanças corporais iniciam-se por volta de 2-3 meses de tratamento, atingindo a transição esperada variavelmente por volta de dois a três anos.
No homem trans, a terapia hormonal baseia-se no uso exclusivo de testosterona em doses fisiológicas, com metas e doses variáveis, muitas vezes semelhantes às utilizadas no hipogonadismo masculino. As mudanças corporais iniciam-se em três a seis meses, completando-se, variavelmente, entre dois e cinco anos de terapia.
8 Os efeitos da terapia
A terapia hormonal tanto para mulheres como para homens trans não é isenta de efeitos adversos, que devem ser esclarecidos aos indivíduos, prevenidos e rastreados durante todo o acompanhamento. O tratamento justifica-se pelo grande impacto que promove na qualidade de vida, aceitação social e redução de riscos como o uso abusivo dos hormônios, por exemplo.
9 Acessibilidade à terapia é lei?
A assistência ao paciente deve ser integral, com equipe multidisciplinar, e disponível em todo o território nacional para que o acesso seja universal. A terapia de afirmação de gênero está indicada conforme a Resolução CFM n.2427/2025.
10. O preconceito
O ato de rejeição ou preconceito contra pessoas trans é chamado de transfobia e está dentro do espectro da LGBTQIAfobia. Essa atitude é considerada uma violação de direitos da pessoa e revela uma falta de respeito humano. Nos últimos 10 anos, foram relatados cerca de 100 a 180 assassinatos de pessoas trans por ano no Brasil.
Consultoria
DEFAT – Coordenadora: Tayane Muniz Fighera (RS), Subcoordenadora: Poli Mara Spritze (RS), Diretores: Alexandre Hohl (SC), Elaine Maria Frade Costa (SP), Fábio Vasconcellos Comim (MG), Marcelo Fernando Ronsoni (SC) e Thyciara Fontenele Marques (CE).