O surgimento dos ossos é um marco na evolução das espécies e foi fundamental para a transição da vida marinha para a terrestre. Não há dúvida que a principal função dos ossos é mecânica propiciando sustentação corporal, mobilidade e proteção a órgãos sensíveis.
Entretanto, os ossos também funcionam como uma mina de minerais e são parte ativa nos ajustes metabólicos desses elementos. A manutenção da saúde óssea é complexa envolve coordenada atividade de renovação de áreas que sofreram insultos por osso novo. Esse processo de remodelamento ósseo perde eficiência durante o envelhecimento.
A área retirada é reposta parcialmente, ocorrendo perda de massa óssea. O ganho de massa óssea é menor entre as mulheres que nos homens. A queda de estrógenos na menopausa provoca perda de massa óssea. Assim, a osteoporose atinge mais o sexo feminino que o masculino.
A osteoporose é uma doença silenciosa que se caracteriza pela diminuição de massa óssea e prejuízo da microestrutura óssea que tornam o osso mais frágil, em última instância uma doença que favorece a ocorrência de fratura. A fratura ocorre após trauma que não seria suficiente para causa fratura em um osso normal, tipicamente, após queda da própria altura.
Confira, então, as 10 coisas que você precisa saber sobre osteoporose:
1 – A osteoporose é uma doença silenciosa, ou seja, ela evolui sem provocar sintomas até que ocorra a temida complicação, a fratura. Além disso, a fratura marca suscetibilidade a ocorrência de novas fraturas, isto é, a pessoa que sofre um fratura osteoporótica apresenta muito alto risco para nova fratura.
2 – A menopausa é um período de enfraquecimento ósseo. Os anos perimenopausa são um período de perda de massa óssea acelerada. A terapia hormonal, nesta fase da vida, traz benefícios ósseos.
3 – Estudos indicam que após os 50 anos uma em cada 3 mulheres terá uma fratura osteoporótica. Os números são menos alarmantes nos homens, mas não devem ser negligenciados. Existem dados que sugerem que um em cada 5 homens terá fratura osteoporótica após os 50 anos. Além disso, após fratura de quadril a mortalidade é maior entre os homens que entre as mulheres.
4 – Os locais mais comuns atingidos pela osteoporose são a coluna (vértebras), o quadril (fêmur), o punho (rádio) e braço (úmero). Destas, a fratura mais perigosa é a do colo do fêmur. Um quarto dos pacientes que sofrem esta fratura morrem durante o primeiro ano. Entre os que sobrevivem 20-40% perdem autonomia.
5 – As manifestações das fraturas vertebrais podem ser brandas. A perda de altura maior que 3,6 cm, em relação à altura máxima, sugere ocorrência de fratura vertebral. A perda de 2cm, durante o seguimento, também sugere fratura deste sítio. A radiografia de coluna torácica e lombar ou exame avaliação vertebral pela densitometria são importantes para o reconhecimento de fratura vertebral.
6 – O diagnóstico precoce da osteoporose é feito pela medida da densidade mineral óssea, por meio do exame da Densitometria Óssea. As mulheres possuem maior risco para desenvolver osteoporose, outros fatores de risco são a magreza, insuficiência ovariana prematura, tabagismo, etilismo, uso crônico de glicocorticoide e doenças que levam a perda de massa óssea como p.ex. má absorção intestinal.
7 – O exame de Densitometria Óssea está indicado para todas as mulheres a partir de 65 anos e para todos homens com 70 anos ou mais. Além disto, todas mulheres menopausadas e todos homens com mais de 50 anos, que possuam um dos fatores de risco descritos acima, devem realizar o exame para confirmar a presença da osteoporose.
8 – A prevenção da osteoporose deve se iniciar na infância, por meio de uma alimentação saudável, com boa quantidade de alimentos ricos em cálcio (especialmente presente nos laticínios e, em menor quantidade, nas verduras escuras, no gergelim, no feijão branco e no tofu). Os nutrientes mais importantes para saúde óssea são o cálcio, a vitamina D e proteínas. Além disto, deve-se evitar a cultura do sedentarismo e promover a cultura de uma vida ativa com prática de esporte e exercício físico adequado para idade. Importante salientar que a atividade física em qualquer fase da vida tem um papel na prevenção de osteoporose e fraturas.
9- A perda de peso involuntária ou mesmo induzida por tratamento potencialmente pode levar à perda de massa óssea. É emblemática a perda de massa óssea que ocorre após a cirurgia bariátrica que leva a perda acentuada e rápida de peso. No entanto, o catabolismo ósseo persiste por longo período (5-7 anos), após a cirurgia; fase em que o peso já ficou estabilizado. Existem dados mostrando que o tratamento com vitamina D, cálcio, ingestão adequada de proteínas e prática de exercício resistido pode mitigar a perda de massa óssea após cirurgia bariátrica. Não existem dados de longo prazo sobre os efeitos dos agonistas, mais potentes, do receptor de GLP1 sobre a massa óssea. No entanto, é aconselhável que as medidas de prevenção de perda de massa óssea (dieta adequada e exercício) sejam orientadas quando do uso destes medicamentos.
10 – O risco de desenvolver a Osteoporose pode ser reduzido, se medidas como uma alimentação rica em cálcio, manutenção de uma atividade física e aporte adequado de Vitamina D foram proporcionados ao longo da vida. Entretanto, é importante salientar que, mesmo com todos estes cuidados, uma parte dos indivíduos vai ter osteoporose, pois a herança genética ainda não pode ser modificada. Mas a boa notícia é que existem tratamentos eficazes para redução de risco de fratura. O endocrinologista é um especialista capacitado para conduzir o tratamento de maneira adequada e eficiente.
Consultoria: Departamento de Metabolismo Ósseo e Mineral – 2025-2026 – coordenador: Francisco José Albuquerque de Paula, subcoordenadora: Narriane Chaves Pereira Holanda; diretores: Bárbara Campolina Carvalho Silva, Catarina Brasil D’Alva, Érico Higino Carvalho e Victoria Zeghbi Cochenski Borba