Vigitel e os Dados sobre Obesidade e Sobrepeso

relogio 17/04/2015 - 16:55 Notícias

Na última quarta-feira, o Ministério da Saúde realizou uma coletiva em Brasília, transmitida online pela TV EBC, com os dados do Vigitel 2014 - Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico.

A apresentação dos dados foi feita por Deborah Malta, diretora do Departamento de Vigilância de Agravos e Doenças Não Transmissíveis, e os comentários aos jornalistas com o Ministro da Saúde, Arthur Chioro.

O Twitter da SBEM - @endocrinologia – acompanhou a transmissão, em tempo real, publicando as informações repassadas durante a coletiva. O destaque dos resultados do Vigitel foi relativo aos números da obesidade e sobrepeso; atividade física e alimentação.

Os dados sobre a obesidade e sobrepeso, levantados pelo Vigitel, têm sido tema de trabalhos e pesquisas da SBEM, há mais de uma década. Segundo o presidente da entidade, Dr. Alexandre Hohl, a mudança de hábitos da população a médio e longo prazo sempre foi enfatizada entre os projetos, como o da "Escola Saudável".

“É fundamental começar com as crianças. A declaração oficial do Governo sobre isso é o reconhecimento de uma questão que a SBEM já fala há anos”, disse o Dr. Hohl.

O Projeto Escola Saudável da SBEM foi criado em 2002, mas anteriormente algumas cidades, como Brasília, criaram iniciativas para melhoria das informações sobre alimentação para crianças em 2000. “Estamos falando sobre essas questões há muitos anos. Uma iniciativa que partiu da SBEM com apoios eventuais do Governo, nas esferas Municipal, Estadual ou Federal, que começa a fazer parte do discurso. Está claro que não há previsão de mudança a médio nem longo prazo se não atacarmos a base do problema, que é melhorar a alimentação e a prática da atividade física, principalmente nas crianças”.

O Dr. Hohl lembra sobre as ações que estão sendo feitas a nível mundial, como a da  primeira dama dos Estados Unidos, Michele Obama. Ela esteve no Rio e visitou o IEDE por causa do projeto. “É preciso aproveitar ideias como essa para incentivar as pessoas a se movimentarem mais”, enfatizou o Dr. Hohl.

O que fazer com os números do Vigitel?

As análises adotadas pelo sistema de pesquisa utilizam um sistema metodológico e científico de amostragem, que não é o ideal. Ele explica que o levantamento, através de telefonemas depende da boa vontade de quem é entrevistado. “Sabemos que existe um viés em relação às declarações. Em cima dos dados apresentados é bem vinda a afirmação que os índices de obesidade estão estáveis, mas não é o suficiente. Estar estável não significa que o resultado pode ser considerado bom”.

Outro índice mencionado no Vigitel, que merece uma maior avaliação, é o que menciona a redução no tempo de permanência na frente da televisão. Entretanto, o Dr. Alexandre Hohl lembra que nas pesquisas existe um termo que precisa estar no contexto que é o “Tempo de Tela”.

“A análise de que o sedentarismo está associado ao tempo de televisão é um pouco mais ampla. É preciso contemplar, além do tempo de televisão, outras situações, incluindo novas mídias como videogame, computador, smartphone e tablets. Assim teríamos um número mais robusto para avaliar o quanto as pessoas estão deixando de se movimentar para estaremos utilizando esses equipamentos. Se o gasto do organismo não está conseguindo ser feito, através de atividade física, estamos correndo o risco de aumento de peso.”

No tópico melhoria da alimentação, o presidente da SBEM lembra que a mensagem do consumo de alimentos mais saudáveis vem sendo amplamente difundido pela mídia, com diversos  programas nos meios de comunicação. O desafio, segundo ele, é em relação à merenda escolar. “Quando uma escola adota uma postura de alimentação saudável se destaca e cai na mídia, mas isso não deveria ser assim. O desafio é fazer um trabalho horizontal, e não isoladamente, para que a merenda escolar adotada seja mais saudável. Essa atitude precisa estar nos projetos de gestores e não só nas diretorias das escolas, que precisam de vontade política para isso.”

Para uma melhoria do quadro é preciso um envolvimento coletivo nesse processo e nas diversas esferas. “É um compromisso que deveria estar na pauta. O discurso do Ministro da Saúde parece que caminha neste sentido.”

Vigitel 2014

Vigitel 2014

 

Vigitel 2014

 

Alguns Tweets do Ministério da Saúde publicados durante a coletiva. A hastag usada foi #ColetivaVigitel

  • Não basta estruturar o sistema p/ combater as doenças, precisamos promover a saúde e prevenção", Chioro.
  • Todo trabalho feito na saúde escolar tem a clara intenção de formar uma nova geração mais saudável, Chioro.
  • Enfrentar os fatores de risco é decisivo para uma vida e um envelhecimento mais saudável, Chioro
  • Estamos conseguindo deter este crescimento entendendo os fatores influenciadores, como nível de escolaridade, Chioro
  • Há 3 anos seguidos nós conseguimos manter a obesidade estável",  Chioro.
  • Objetivo da campanha é incentivar mudanças individuais e de comportamento da população.
  • Entre as ações previstas para incentivar a prática de atividade física destaca-se o Programa Academia da Saúde.
  • 1/4 da população consome o recomendado pela OMS de frutas e hortaliças. #ColetivaVigitel
  • Outro hábito positivo para a saúde do brasileiro é que as frutas e hortaliças estão presentes na rotina da população.
  • Hábito de ver televisão cai no país: o índice de pessoas q passam + de 3h de frente p/ TV passou de 31% para 25,3%.
  • Os jovens, em ambos os sexos, são os que mais se exercitam, com índice de 50%.
  • Homens são + ativos q mulheres, 41,6% deles praticam o recomendado contra 30% entre o público feminino.
  • É alto índice da população fisicamente inativa, que afirmam não ter feito nenhuma atividade nos últimos três meses: 15,4%
  • 35,3% dos entrevistados disseram dedicar pelo menos 150 minutos do seu tempo livre com exercícios.
  • Brasileiro está se exercitando +, com aumento de 18% nos últimos 6 anos de pessoas q praticam atividade física no lazer.
  • O excesso de peso tende a aumentar com a idade. Jovens registram 38% e pessoas de 45 a 64 anos, 61%.
  • Pesquisa revela que excesso de peso atinge 52% da população adulta no país.
  • Neste quesito os homens ganham. O excesso de peso na população masculina chega a 56,5% contra 49,1% nas mulheres.
  • As doenças crônicas não transmissíveis respondem por 72% dos óbitos no Brasil.
  • Também preocupa a proporção de pessoas com + de 18 anos com obesidade de 17,9%.
  • Vigitel 2014 mostra q excesso de peso já atinge 52,5% da população adulta do país.

 

cbaem 2019
Proendocrino set 2018