Veto da Anvisa

relogio 27/11/2013 - 12:22 Notícias

No início de novembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou no Diário Oficial da União um informativo de que não se pode produzir, manipular, vender e usar produtos com o princípio ativo Lorcaserin.

Este tipo de medicamento é utilizado para emagrecimento e conhecido como Locarserin ou Belviq. A susbstância foi aprovada pelo FDA (Food and Drug Administration), agência que regula alimentos e remédios nos Estados Unidos, em 2012, mas só passou a ser comercializado em 2013 devido a problemas de logística.

O Dr. Mário Kehdi Carra, endocrinologista e presidente do departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que não foi realizado nenhum teste do medicamento Locarserina no Brasil, por isso não pode ser comercializado. De acordo com a resolução publicada pela Anvisa: "não avaliou a eficácia e segurança de medicamentos que contenham o insumo farmacêutico ativo lorcaserin".

Ainda segundo o endocrinologista, a Locarserina é um agonista serotoninérgico seletivo do receptor 5-HT2-c que estimula a liberação da POMC (propiomelanocortina modulador das sensações de fome e desejo de comer). Este medicamento só tem liberação de venda nos EUA. Lá ele é aprovado para uso como agente emagrecedor mas como vários medicamentos e está sob vigilância do FDA em relação a efeitos colaterais e indesejados.

Na semana de 10 a 15 de novembro, o Dr. Mário esteve em Atlanta, no OBESITY WEEK e, em conversa informal com o gerente de produto do laboratório em questão, falou sobre a possibilidade deste medicamento vir ao BRASIL. O endocrinologista foi informado que não há plano do medicamento chegar ao país, pois eles não tem conseguido atender o mercado interno. Quanto à comercialização manipulada, alguns pontos são destacados: não é medicamento autorizado pela a ANVISA a ser comercializado no Brasil e, se eles não exportam o medicamento, qual a origem do insumo usado para as formulações.

A suspensão ocorreu após a comprovação da comercialização irregular do produto, produzido por empresas que não têm registro na Anvisa. O insumo estava sendo importado e manipulado em farmácias magistrais, o que segundo o Dr. Mário é inadequado, pois não é possível saber a procedência do produto. O medicamento é utilizado no tratamento da obesidade e precisa ser usado com controle e prescrição médica contínua e eficaz. Todo remédio tem efeitos colaterais e deve ser observado. 

 

 

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