Transexualidade no Esporte

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Transexualidade no Esporte

por site em 15 de abril de 2021


Além dos hormônios, uma série de questões influenciam no rendimento de um atleta profissional, como força muscular e estrutura óssea esquelética. O assunto tem sido abordado em diversos veículos de comunicação em função do caso da atleta de vôlei transexual, Tiffany Abreu, e sua atuação no time feminino de vôlei do Bauru (São Paulo).

O vice-presidente da SBEM, Dr. Alexandre Hohl, e as doutoras Elaine Frade e Karen Marca, membros da Sociedades, esclarecem algumas dúvidas sobre o que acontece no organismo. (foto Celso Pupo)

Dopping

O primeiro ponto a ser observado é que o uso de testosterona é proibido pelo World Anti-Doping Agency (WADA) para atletas. Contudo, de acordo com a Dra. Karen Marca, que participou da última edição do Webmetting sobre “Disforia de Gênero”, a situação é diferente no caso de transexuais. “É considerado dopping, mas no caso de homens trans, que precisam para hormonização masculina, não é. A questão é: qual valor ideal para não ser julgado como um crime?”, comentou.  

Mudanças Hormonais  

Um tópico muito questionado por atletas, jornalistas e o público é qual o tempo necessário para mudanças hormonais em uma atleta trans. De acordo a Dra. Elaine Frade, presidente da Comissão de Desreguladores Endócrinos, não há um período determinado. “Não tem época certa. Para jogar em uma categoria do sexo social dela, que é o feminino, ela teria que ter bloqueado a puberdade. Assim ela não desenvolveria a masculinidade, teria menos massa muscular e massa óssea. Além disso, com um background genético masculino, a tendência é ser mais alta”, explicou.  

Já a Dra. Karen comentou que cada caso tem sua individualidade. “Não existe um tempo pré-determinado, porque à resposta a hormonização é muito individual. Depende do organismo, tipo de hormônio, idade em que começou a fazer a terapia hormonal, tempo de uso e se já fez as cirurgias para readequação de gênero. Diria que precisamos de uns 15 anos para um atleta transgênero ter uma composição corporal mais próxima da biológica. E isso influencia na performance”, explicou.  

Principais Diferenças para outras Mulheres

Para Dra. Karen, a análise técnica atleta tem privilégios perante as outras jogadoras do time feminino. “Por mais que os níveis de testosterona estejam bastante reduzidos, ainda mantém sua estrutura óssea muscular e visceral de um indivíduo masculino, podendo ter uma performance superior de suas colegas”, declarou.  

As principais vantagens em relação a outras mulheres, segundo a Dra. Elaine, seriam: altura, força muscular e a estrutura óssea esquelética mais forte.  

O Dr. Alexandre explica que todo tratamento das pessoas transgênero é feito para adequação corporal, para isso se utilizam hormônios ou se bloqueia a produção deles. “Não existe uma preocupação com o desempenho no esporte. No caso de atletas com alta perfomance e de competição isso pode ser um problema, pois podem entrar na lista de substâncias conhecidas como doping”.

Comitê Olímpico Internacional

A comissão médica do Comitê Olímpico Internacional (COI) comunicou que não alterou a análise que trata do tema no esporte olímpico, com ressalva que nos torneios nacionais a responsabilidade pertence às federações.

A recomendação foi, de 2017, do Encontro de Consenso sobre Mudança de Sexo e Hiperandrogismo, que liberou que atletas transgêneros competissem sem a necessidade de cirurgia de mudança de gênero, mas com a exigência da reposição hormonal

O caso continua sendo estudado pela equipe médica da FIVB para que as decisões sejam baseadas em dados e pesquisas. 

 

Reportagem Cristina Dissat