Saúde Brasil

relogio 20/12/2010 - 22:38

Recente estudo divulgado pelo Ministério da Saúde aponta que, entre 1996 e 2007, foi registrada uma queda de 17% nas mortes por doenças crônicas não transmissíveis no Brasil. Esse grupo, que representa 67% do total de óbitos no país, inclui as doenças cardiovasculares, as respiratórias crônicas, as neoplasias e o diabetes. Segundo os dados, apenas em 2007, foram 705,5 mil vítimas dessas doenças e, embora a tendência seja de queda, a regra não vale para o diabetes, cujas mortes apresentaram aumento de 10%, se for considerado apenas óbitos por causa básica.
 
A tendência de aumento do número de mortes em decorrência do diabetes foi verificada na maioria dos estados brasileiros, principalmente nos da Região Nordeste. De acordo como estudo, o principal fator associado é a mudança na alimentação do brasileiro, que leva ao sobrepeso ou a obesidade.

Resultados do Saúde Brasil 2009

Neste ano, o Vigitel verificou que o percentual dos brasileiros que sofrem de obesidade cresceu de 11,4% para 13,9% entre 2006 e 2009, o que reforça a necessidade de diferentes ações para o controle da doença crônica.
 
No Brasil, a maior redução entre as doenças crônicas foi registrada nas mortes por doenças respiratórias (enfisema pulmonar, doença pulmonar obstrutivas crônica, asma, etc.), o que equivale a uma queda média de 2,8% ao ano na taxa de mortalidade. Segundo a análise, um dos fatores para esse resultado é a diminuição do tabagismo no país. De 1989 a 2009, o percentual de fumantes na população caiu de 35% para 16,2%.
 
Principal causa de morte no país, as doenças cardiovasculares concentram 29,4% do total de óbitos declarados, com 308 mil registros em 2007. O Saúde Brasil 2009 mostra uma queda de 26% na taxa de mortalidade, com redução média de 2,2% ao ano, passando de 284 por 100 mil habitantes, em 1996, para 206 por 100 mil habitantes, em 2007.
 
Os dados fazem parte do Saúde Brasil 2009, publicação anual da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS). Em 2010, por recomendação da ONU, os países-membros da organização passaram a incluir as doenças crônicas não transmissíveis entre as prioridades que estarão em discussão na Assembleia de 2011.
 
Programa Escola Saudável
 
Os dados apresentados pelo Saúde Brasil confirmam a necessidade de ações que promovam a prevenção de tratamento de doenças crônicas, principalmente a obesidade e o diabetes. Dessa forma, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a Sociedade Brasileira de Pediatria, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e o Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília desenvolveram o Projeto Escola Saudável. O objetivo é promover, em âmbito nacional, uma melhor qualidade de vida à sociedade, utilizando o ambiente escolar como veículo inicial de propagação.
 
De acordo com a Sociedade, no Brasil, iniciativas em promover a alimentação saudável e estímulo às atividades físicas nas escolas estão sendo fomentadas pelo fortalecimento dos parâmetros curriculares nacionais para o ensino fundamental.
 
Em Pernambuco, por exemplo, a SBEM-PE iniciou um trabalho amplo, com objetivo de desenvolver e implementar um programa de educação do lanche escolar e estimular a atividade física para a melhoria da qualidade de vida do estudante. O projeto estimularia a prevenção da obesidade e diminuiria o erro alimentar e o sedentarismo. O projeto englobou 20 escolas particulares e 20 escolas públicas da Região Metropolitana do Recife. Foram ministradas palestras aos alunos envolvidos pela campanha (abrangendo os aspectos nutricionais e de atividade física) e aplicados questonários para os alunos de 3ª e 4ª série do ensino fundamental. Veja alguns dos resultados da pesquisa:
 

  • Os erros alimentares mais frequentemente encontrados foram: ausência da primeira refeição do dia, utilização em excesso de açúcares e frituras, substituição de refeições principais por lanches, consumo excessivo de pães e baixo consumo de frutas.
  • Apenas 40,5% dos alunos das escolas privadas e 24,3% das escolas públicas fazem exercício regular duas vezes por semana.
  • 55,5% dos alunos das escolas particulares e 63,1% dos alunos das escolas públicas, referem os momentos nos quais eles mais se alimentam são aqueles em que não têm nada para fazer.

Entre as ações realizadas para melhorar esse quadro foram a sugestão dos "lanches verdes", lanches coletivos; instituição do dia da fruta e do dia da escola saudável; aferição de peso e estatura semestralmente, divulgação de Informativos e palestras para os pais e escolas; supervisão por profissionais da saúde nas escolas; capacitação de educadores da saúde e dos “Agentes de Saúde Mirins”.
 
Programa Minha Escolha
 
Outra ação da SBEM, para a diminuição dos casos de mortes por doenças crônicas, tem sido a parceria com o Programa Minha Escolha.
 
Pesquisas demonstram que os consumidores procuram se alimentar de forma mais saudável, mas acham difícil fazer escolhas na hora da compra. Recente levantamento realizado pela IPSOS Affairs, demonstra 43% dos consumidores está sempre confuso sobre o que comer para se manter saudável. Dessa forma, o Programa tem como objetivos ajudar os consumidores a identificar, de forma simples e rápida, opções saudáveis no momento da compra e estimular as indústrias alimentícias a aprimorar a composição de seus produtos, aumentando, assim, a disponibilidade de alimentos e bebidas mais saudáveis e atendendo a demanda de consumo.
 
Para isso, o Minha Escolha criou o selo MINHA ESCOLHA, um logo simples e direto, na frente das embalagens dos produtos das empresas participantes do programa que possuem níveis controlados de quatro nutrientes-chaves, de acordo com os critérios nutricionais definidos pelo programa.
 
De acordo com o projeto, podem receber o selo produtos com níveis controlados de 4 nutrientes-chave: gorduras saturadas, gorduras trans, os açúcares e o sódio (sal). Segundo a OMS, esses são os quatro nutrientes causadores de doenças crônicas como diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares, quando consumidos em excesso.