Resumo: Estudo de Diabetes e Doenças Associadas na População Nipo-Brasileira de Bauru, SP

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Resumo: Estudo de Diabetes e Doenças Associadas na População Nipo-Brasileira de Bauru, SP

por site em 15 de abril de 2021


Sandra Vívolo – Pesquisadora da Faculdade Saúde Pública (USP)

Na 1ª fase do Estudo de Diabetes e Doenças Associadas na População Nipo-Brasileira de Bauru, SP, em 1993, foram coletados de dados de 647 indivíduos de 1ª e 2ª geração não-miscigenados. Usando critérios próprios para população asiática, a prevalência de obesidade foi de 40% e de adiposidade abdominal de 50%. Associadas aos baixos níveis de atividade física, estes achados podem ter contribuído para as altas taxas de diabetes (ao redor de 20% considerando ambos os sexos). Uma predisposição genética deve favorecer o impacto deletério do ambiente ocidental. As cifras de hipertensão também foram elevadas mas chamavam à atenção de dois terços da população apresentava algum distúrbio do perfil lipídico. Este quadro de morbidades não diferia daquele relatado para nipo-americanos. Ambas populações migrantes apresentaram padrões dietéticos contrastantes com o Japão, sendo o consumo de gordura no Brasil o dobro daquele reportado no Japão da mesma época.

A 2ª fase (1999-2000) do Estudo em Bauru incluiu 1330 nipo-brasileiros com objetivos mais abrangentes, enfocando componentes da síndrome metabólica e suas associações com fatores ambientais e genéticos. A prevalência de diabetes foi ainda maior, ao redor de 35%, uma das maiores registradas no mundo. A elevada freqüência de síndrome metabólica os configurava como de alto risco cardiovascular.

Diante dos alarmantes achados relativos à crescente prevalência de diabetes e concomitância de outros fatores de risco cardiometabólicos, relacionados aos hábitos de vida ocidentais, o grupo de pesquisadores realizou de 2005 a 2007 a 3ª fase do Estudo em Bauru. Foi elaborado um programa de intervenção no estilo de vida desta população, particularmente enfocando seus hábitos alimentares e de atividade física. Uma equipe multiprofissional participou das atividades junto à população nipo-brasileira. Análises parciais do banco de dados mostraram que, em média, houve redução de certos parâmetros tais como a circunferência da cintura, níveis de pressão arterial, glicose e colesterol sanguíneos, embora as freqüências das anormalidades continuem altas, semelhantes às da fase anterior.

Estudos de intervenção conduzidos no Primeiro Mundo já haviam mostrado a eficácia de programas, de custo bastante elevado, buscando a prevenção de diabetes em indivíduos de risco. O presente Estudo em nipo-brasileiros revelou que com motivação bilateral – profissionais e pacientes – e com recursos financeiros baixos é possível obter benefícios no perfil de risco cardiometabólico de um estrato da população brasileira. Porém, não se sabe se tais efeitos serão mantidos em longo prazo, capazes de minimizar o risco de eventos cardiovasculares.