Redução de Sódio

relogio 29/06/2016 - 14:38 Adrenal e Hipertensão

A parceria entre o Ministério da Saúde e Associação das Indústrias da Alimentação (Abia), estabelecida em 2011, possibilitou a retirada de 14.893 toneladas de sódio dos produtos alimentícios. Todos os dados foram divulgados na quarta-feira, dia 28 de junho, pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, e pelo presidente da Abia, Edmund Kloz.

“Esta parceria é muito importante e vamos continuar os acordos para melhorar a qualidade nutricional dos alimentos processados. A população precisa estar atenta, não somente ao sal, mas também ao açúcar que é adicionado aos alimentos. É importante frisar que o açúcar está presente na maior parte do que é consumido e, se cada cidadão brasileiro cuidar da sua saúde, o povo será mais saudável”, declarou o ministro Ricardo Barros.

A redução é equivalente a 3.723 caminhões de 10 toneladas carregas de sal. O objetivo é que até 2020, as indústrias relacionadas ao setor promovam a retirada voluntária de 28.562 toneladas do mercado brasileiro.

De agora em diante, o Ministério da Saúde e a Abia iniciam discussões sobre uma nova parceria, desta vez, para reduzir o açúcar nos alimentos processados.

O presidente da Abia, por sua vez, comentou sobre necessidade de aplicar a redução em outros alimentos. “Nossa preocupação é tentar fazer o possível para colaborar. Esperamos conseguir, inclusive, preparar, de maneira eficaz, a tecnologia para fazermos também a redução do açúcar, com o mesmo sucesso e ritmo que tivemos na redução de sódio”, afirmou Edmund Kloz.

A SBEM já vem discutindo o tema há muito tempo, além de ter participado de diversas reuniões com o Ministério. A Dra. Nina Musolino, membro da diretoria da SBEM Nacional, lembra das fases que o projeto já passou, onde a primeira etapa envolveu macarrão instantâneo, pão de forma e bisnaguinha. A segunda, bolos, snacks (batata-palha e salgadinhos de milho), maioneses e biscoitos. “O acordo prevê um próximo passo, envolvendo produtos embutidos, com o resultado sendo divulgado em 2017.

As indústrias que não alcançarem o resultado esperado de redução são notificadas pelo Ministério da Saúde e devem encaminhar uma justificativa, além de uma nova estratégia para diminuir a quantidade de sal dos alimentos. 

“Os produtos analisados continuam fazendo parte do programa, mesmo com as metas alcançadas.  Em cada ano, novos objetivos serão traçadas, visando maiores reduções”, comenta a especialista.

Para o presidente da SBEM, Dr. Alexandre Hohl, políticas públicas para redução da ingesta de sal e de açúcar já são utilizadas em diferentes países em todo o mundo.

“Esse processo agora chega ao Brasil com a diminuição do sódio em diferentes produtos alimentícios, uma parceria do Ministério da Saúde com a Associação das Indústrias da Alimentação. A SBEM vê isso com extremos bons olhos, visto que impacta em uma doença de alta prevalência que é a hipertensão arterial sistêmica e em última análise na saúde dos pacientes. Toda a política que visa à saúde coletiva é extremamente bem vinda”.  

Dados Divulgados

A coletiva que divulgou o projeto, incluiu o VIGITEL 2015 que mencionou dados sobre a hipertensão no país, números  sobre consumo de açúcar, diabetes, nutrição e o Guia Alimentar para a População Brasileira.

  • Em 2015, a hipertensão afetava 24,9% da população do país, sendo que, em 2004, este percentual foi 24,8%. As mulheres são maioria nesse cenário e respondem por 27,3% dos casos, enquanto os homens respondem a 22% dos casos. Os hipertensos crescem com o avanço da idade e também com a diminuição da escolaridade.
  • O brasileiro ainda apresenta uma percepção pequena sobre o consumo de sal em excesso, o que pode ser observado com o fato de que, apenas, 14,9% da população considera seu consumo de sal muito alto.
  • A média nacional de consumo de sal é de 12 gramas e 70% da população brasileira consome sódio em excesso.
  • O consumo excessivo de sódio é fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não-transmissíveis, que atualmente respondem por 72% dos óbitos no Brasil.
  • A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o consumo de açúcar não ultrapasse 10% das calorias consumidas por dia, o que equivale a, aproximadamente, 50 gramas/dia.
  • O brasileiro consome em média 16,3% do total de calorias. O consumo excessivo de açúcar é fator de risco para o desenvolvimento da obesidade, além de doenças como o diabetes. 
  • Mais da metade da população adulta (53,9%) está acima do peso. Em 2006, o índice era 43%. Deste total, 18,9% são obesos e em 2006, era 11,4%.

Para acessar o documento completo divulgado pelo Ministério da Saúde, clique no link a seguir:

Veja matéria publicada no site da SBEM sobre o tema:

 

cbaem 2019