Qualificação em Medicina

relogio 15/12/2009 - 14:07
A Associação Médica Brasileira divulgou nota, assinada pelo Dr. José Luiz Gomes do Amaral, presidente da entidade, repudiando a abertura de escolas médicas sem qualificação. De acordo com o anúncio, interesses econômicos e políticos, falta de legislação apropriada e conivência de sucessivos governos teriam contribuído para a abertura de 178 faculdades de medicina, em sua maioria sem suficiente corpo docente qualificado na área médica ou hospital universitário próprio. A insuficiência de profissionais seria justificada pelos empresários pela falta de médicos no Brasil e inclusão de novos alunos nos cursos superiores.

De acordo com a Associação, para quase 200 milhões de habitantes, são oferecidas 16.805 vagas de estudo oficiais e muitas faculdades abrem mais de um vestibular ao ano. A China, porém, com mais de 1 bilhão e 300 milhões de habitantes, possui 150 cursos médicos; os Estados Unidos, com população de mais de 300 milhões, contam com 131 faculdades de medicina. Somente nos últimos 13 anos, 96 escolas médicas foram criadas no Brasil, o que não aconteceu em nenhum outro país do mundo.
 
A nota ainda revela dados da proporção médico-população no Brasil: 1 médico para cerca de 588 brasileiros. No Rio de Janeiro, a média é de 1/302 habitantes, no Distrito Federal 1/309 e na capital de São Paulo 1/300, em Campinas e Ribeirão Preto, cerca de 1/200. Pelos dados, não faltam médicos. Para a AMB, se a distribuição é desigual e poucos se atrevem a se estabelecerem em áreas de difícil acesso devido à inexistência de políticas consistentes de incentivo à distribuição de profissionais. Ainda segundo o informe da AMB, não há estrutura assistencial ou plano de carreira que fixe profissionais de saúde no sistema público.

O presidente afirma que o Ministério da Educação tem se esforçado para corrigir o problema em diversas ações, entre elas ao fato de 17 cursos mal classificados no Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes (Enade) serem mantidos sob supervisão, alguns inclusive com o vestibular suspenso e outros com redução no número de vagas.

Para o Dr. Ricardo Meirelles, presidente da SBEM, a divulgação da nota é importante. “A proliferação de escolas médicas sem qualificação é uma das maiores causas de perda de credibilidade para o médico”, afirma.