Painel Internacional

relogio 14/06/2011 - 18:08 Notícias

A SBEM e a ABESO participaram, nesta terça-feira, dia 14 de junho, em Brasília, do Painel Técnico Internacional sobre Eficácia e Segurança dos Medicamentos Inibidores de Apetite. Promovido pela Anvisa, a reunião teve como objetivo discutir a proposta da Agência de retirada da sibutramina e dos medicamentos anorexígenos (manzidol, femproporex e afepramona) do mercado brasileiro e contou com a participação de diversas entidades médicas.  O Painel não contou com a participação do público e, apesar de prometido, o mesmo não foi transmitido pelo site da Anvisa. A Assessoria da Agência informou que um vírus impossibilitou a transmissão.

A reunião foi dividida em duas partes. No período da manhã, os convidados discutiram o estudo SCOUT, que motivou a retirada dos medicamentos à base de sibutramina do mercado. De acordo com Dr. Ricardo Meirelles, os debates giraram em torno da eficácia e segurança da substância, porém, sem chegar a nenhum consenso. “A reunião contou com um grande número de debatedores ligados à Câmara Técnica. Percebemos, até pelo próprio hotsite criado pela Anvisa antes do painel, que já existe um conceito da Agência para a retirada dos medicamentos”.

O especialista afirmou ainda que, apesar do grande número de debatedores a favor da retirada do medicamento, os argumentos dos endocrinologistas e médicos foram mais fortes e mais consistentes. “Somos nós que lidamos diretamente com o paciente obeso, que o tratamos. Nossos argumentos vêm da prática clínica e não apenas da literatura”, comenta. “Sabemos que não são todos os pacientes que podem se beneficiar com o tratamento farmacológico, mas não podemos impedir uso da medicação, especialmente àqueles que podem usá-la”, completa.

A segunda parte da reunião debateu a proposta da Anvisa para retirada dos anorexígenos. Defendendo a permanência das substâncias, Dr. Henrique Suplicy apresentou dados de um estudo que evidenciou perda significativa de peso em pacientes que fizeram uso dos medicamentos. “O estudo teve acompanhamento de uma psicóloga e foi positivo pois proporcionou a melhora da qualidade de vida do paciente obeso”, disse. Segundo ele, nenhum paciente deixou o estudo por efeito colateral.

Representando a Associação Médica Brasileira, o Dr. Waldemar Bernardo defendeu a prescrição médica. “É importante a opinião do médico que lida no dia a dia com o paciente e conhece seu tratamento. Quem cuida do paciente é quem pode dar as respostas”, disse. “Não se pode negar o medicamento para quem tem indicação, se eu não posso controlar quem não tem indicação”, completou.

A Dra. Cíntia Cercato também expôs sua opinião, afirmando que, devido a fisiopatologia da doença, não é possível imaginar o tratamento da obesidade sem um medicamento que aja no sistema nervoso central. “O médico tem formação para identificar um evento adverso a uma droga e encaminhar o paciente para outro tratamento”, reiterou.

A decisão final quanto à suspensão ou não do medicamente deve ser tomada, de acordo com a Anvisa, entre o final de julho e o início de agosto.

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