CBAEM/COPEM: O Fígado no Diabetes

relogio 26/08/2011 - 12:03 Congresso Nacional

Uma das primeiras conferências do terceiro dia do CBAEM/COPEM foi "O Fígado no Diabetes", apresentada pelo Dr. Milton César Foss. Com número de pessoas acima da capacidade da sala, a palestra foi coordenada pelo presidente da SBEM, Dr. Airton Golbert, e teve como objetivo mostrar aos congressistas qual é o funcionamento do fígado e seu papel em pacientes com diabetes. A apresentação foi dividida em duas partes: a primeira tratando faz funções e o papel do fígado no diabetes e a segunda falando sobre a Doença Gordurosa do Fígado.

"O fígado é, sem duvida, o órgão central do metabolismo humano, com ampla capacidade metabólica, podendo ser considerado o grande maestro que rege as funções de diversos órgãos", afirmou o especialista. Ele chamou a atenção para a atuação nas diferentes situações do dia a dia. "No período pós-prandial, existe o predomino da ação insulínica, estimulada, e o fígado tem a capacidade de captar substratos energéticos, diminuindo a produção endrógena dos substratos. Outro estado que podemos destacar, é o pós-absortivo (jejum), quando ocorre o predomínio dos hormônios antagonistas, da insulina, onde a capacidade do órgão em produzir substratos energéticos é acentuada para suprir as necessidades do sistema nervoso central", explicou.

Outro ponto levantado pelo especialista foi em relação ao funcionamento do fígado durante o diabetes. "Sabendo como o fígado funciona nesses pacientes, podemos sugerir ações para melhorar a captação de glicose, dimuindo a resistência insulínica". Segundo Dr. Milton, entre as alternativas estão os ativadores da glicotinase. "Destaco a piragliatina, que está sendo testada em pacientes com diabetes tipo 2. Utilizando essa droga, foi notada uma redução na glicemia dos pacientes diabéticos, melhorando a captação de glicose no fígado e aumentando o estímulo de insulina", afirmou.

O especialista citou ainda, como novas alternativas, o uso de moléculas inibidoras de frutose, controlando a produção endógena de glicose, considerada por ele uma boa opção terapêutica. "Cito também a molécula CS-917, testada atualmente em ratos diabéticos. Notou-se que, com essa molécula, as curvas de glicemia foram melhorando progressivamente", explicou. "O avanço no conhecimento do papel fisiológico do fígado tem possibilitado que nós pensemos em novos avos alvos terapêuticos que poderão ser utilizados no futuro do tratamento".

Na segunda parte da conferência, Dr. Milton falou sobre a Doença Gordurosa do Fígado. "Quando analisamos essa condição no diabetes tipo 1, percebemos que o fígado se infiltra de gordura. Nesses pacientes, temos uma carência muito acentuada de insulina, e notamos no tecido adiposo uma acentuação do processo lipolídico", comentou. No DM2, ocorre mesmo uma doença hepática não alcoólica, caracterizada pela esteatose e a esteado-hepatite. Para exemplificar, Dr. Milton citou diversos trabalhos em andamento, entre eles o estudo de Leey e o de Ludwig. De acordo com o especialista, cerca de 20% da população geral tem esteatose

epiudemiologia - 20% da população geral tem esteatose e cerca de 2 a 3% apresentam a esteat-hepatite. Em diabéticos tipo dois, a doença hepática atinge cerca de 70 a 75% deles.

Segundo Dr. Milton, a Doença Gordurosa do Fígado pode ser considerado um dos componentes da síndrome metabólica. "É importante afirmar que a doença é um fator de risco cardiovascular em pacientes com DM1 e DM2", disse.

Em relação ao tratamento, o especialista afirmou que, em geral, são tratadas as condições associadas: controle da obesidade, perda de peso, controle do DM e da dislipidemia. "Outra alternativa são as drogas hepatoprotetoas (ácido ursodeoxicológico, vitamina e, etc).

 Leia mais:

 

cbaem 2019
Proendocrino set 2018