Discussão dos Novos Critérios para Cirurgia Bariátrica

relogio 01/05/2015 - 08:25 Notícias

Será que o IMC é o único critério para indicação da Cirurgia Bariátrica? O tema foi debatido em um dos simpósios no XVI Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica, promovido pela ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), no Rio de Janeiro. Os especialistas discutiram sobre quais poderiam ser os novos critérios para a recomendação da cirurgia bariátrica.

Almino RamosPara os especialistas o IMC, critério adotado atualmente, não é considerado ideal. Segundo o cirurgião Almino Ramos (SP) - foto, que participou da mesa debatedora, a recomendação  “não pode ser abandonada e sim aprimorada”.

Foram apresentados alguns pontos discutidos em dois fóruns, realizados recentemente,  onde estiveram reunidas a SBEM, Sociedade Brasileira de Diabetes, ABESO, Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Colégio Brasileiro de Cirurgiões e Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva.

Um criterio ideal, de acordo com o Dr. Almino, incluiria: Simplicidade – acessível e fácil de compreender (sem equipamentos caros); Reprodutível – medidas precisas e padronizadas passíveis de reproduzir seus resultados; Amplo – deve ser validade baseado na idade, sexo e etnia; Estabelecer prioridade e elegibilidade.

Os novos indicadores básicos do Escore de Risco Metabólico - que está sendo estudado e discutidos - é composto pelos seguintes tópicos:

  • Pacientes com diagnóstico/histórico de diabetes mellitus do tipo 2 por pelo menos cinco anos;
  • Idade mínima de 30 anos;
  • Hemoglobina glicada acima de 8%, mesmo em tratamento regular orientado por endocrinologista;
  • Indicação cirúrgica pelo endocrinologista que acompanha o paciente;
  • IMC acima de 30 kg/m2

O presidente da SBEM, Dr. Alexandre Hohl (foto à direita), que participou da mesa, explica que a entidade tem estado presente nestas reuniões, assim como SBD e ABESO (visão clínica), e as demais entidades na área cirúrgica. “Sempre que se propõem mudanças, existem pessoas que concordam e outras que discordam. Não significa que as mudanças vão contemplar a todos. O debate que aconteceu nesse simpósio foi excelente porque os presentes, que não estavam tão próximos aos debates, opinaram, deram ideias e demonstraram interesse em participar da continuidade dessas definições. A ideia é discutir e aprimorar”, explicou o Dr. Hohl.

As propostas, apresentadas nos dois fóruns já realizados, ainda estão sendo discutidas com o Conselho Federal de Medicina, mas não foi tomada nenhuma posição oficial. “É apenas mais uma etapa do processo de discussão para que possamos dar a chance de um tratamento mais adequado não só baseado no peso e na altura. O IMC isoladamente pode errar ao deixar de lado pessoas que não tem um indice tao alto, mas que possuem comorbidades graves, principalmente metabólicas, e que poderiam ter benefícios com a cirurgia.”.

De acordo com o presidente, não se trata de diminuir o IMC como referência, mas trabalhar com evidências científicas para avaliar até que ponto tratar pessoas com o IMC abaixo de 35, mas com comorbidades graves, terão benefícios. “São muitos os parâmetros nesse novo escore. Qual seria o ponto de corte do IMC? Será  30? 32? Alem disso, outros pontos são passiveis de discussão: quais parâmetros devem ser pontuados, como devem ser pontuados, qual o ponto de corte do escore. Por isso, temos debatido bastante durante as reuniões entre as Sociedades Médicas. Nós, endocrinologistas,  e os demais especialistas participantes temos um objetivo em comum:  tratar melhor quem precisa”. (fotos Celso Pupo)

 

EMBE 2019
Universidade online SBEM