Na Luta Contra a Balança

relogio 24/02/2014 - 13:49 Notícias

Um dos destaques do Campeonato Brasileiro de 2013, e desse começo do Campeonato Carioca 2014, é o jogador Walter Henrique da Silva (24) que sempre mostrou seu bom futebol pelos campos nacionais. Mas, além de gols importantes, a forma física do atleta também vem chamando atenção. O artilheiro do Goiás, no ano passado, tinha visivelmente uns quilinhos a mais, comparado aos demais companheiros de time, e foi justamente esse fato que gerou toda a discussão.

Este ano, quando chegou ao Fluminense, seu atual clube, Walter pesava 106kg, com 1,78m de altura. Nessas condições ele se encontrava claramente acima do peso. Mas, segundo o presidente da Comissão Temporária para o estudo da Endocrinologia do Exercício e do Esporte (CTEEE), Dr. Roberto Luís Zagury, é importante avaliar não apenas o peso corporal do atleta, mas também a sua composição corporal: “O IMC – índice de massa corporal – para atletas, nem sempre é um bom parâmetro, uma vez que não permite diferenciar a massa magra da gordura corporal. Nestes casos a melhor opção para avaliação da composição corporal é o DXA”. O DXA, ou absorciometria por dupla emissão de raios-X. Segundo o Dr. Roberto é um aparelho semelhante ao da desintometria óssea, aplicado no corpo inteiro para calcular o percentual de gordura corporal, para avaliar como o atleta está fisicamente.

De acordo com dados do clube carioca, Walter fez seu primeiro jogo com sete quilos a menos, ou seja, pesava 99kg na sua estreia no Campeonato Carioca. Mas e se ele permanecesse com o mesmo peso em que estava quando chegou ao Fluminense? Segundo Dr. Roberto, o excesso de peso pode reduzir a carreira do atleta: “Fica difícil especular por quantos anos o jogador acima do peso poderá atuar, mas com certeza o atleta com a forma ideal vai ter uma vida útil dentro do esporte muito maior do que aquele que está acima do peso. A estrutura osteoarticular tende a não suportar”, afirma. 

Manter-se sempre em forma, para um jogador de futebol, pode ser ainda mais complicado, afinal existem diversas medicações que ajudariam o atleta no processo de emagrecimento, mas que são proibidas pelas entidades regulatórias e identificadas nos exames antidoping. O endocrinologista explica, também, que a vida fora do campo pode prejudicar: “Walter, sempre teve uma vida social ativa, dificultando a perda de peso. O atleta tem que compreender que seu comportamento fora de campo pode interferir no resultado com relação ao peso”. O endocrinologista explica, também, que a perda de peso rápida não é o ideal, em vista que o jogador teve uma redução de 7 quilos em cerca de três semanas. “Eu diria que foi aceitável. Algo acima da velocidade usual de perda de peso, que é da ordem de 0,5 a 1 kg por semana”. 

Além de prejudicar sua carreira profissional, o atleta acima do peso, assim como qualquer outra pessoa que esteja nestas condições, pode ter problemas de saúde. “É importante frisar que o atleta também é um ser humano e o sobrepeso pode trazer consequências médicas e metabólicas, como pré-diabetes, diabetes, dislipidemia e outras doenças”, explica Dr. Roberto. Ele comenta que, por ser uma figura pública, ao se empenhar em recuperar sua forma ideal acaba servindo de modelo para quem vive uma situação parecida. “É importante o Walter se engajar nesse tratamento para emagrecer, não só pela saúde dele, mas porque ele vai representar um exemplo para milhares de pessoas”, completa. 

Foto: Celso Pupo

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