Melhores Momentos do ALAD 2010

relogio 16/11/2010 - 17:20

Por Carolina Coral, de Santiag, fotos Marcelo Barahona Gutiérrez

O XIV Congresso ALAD 2010 ocorreu em Santiago do Chile de 7 a 11 de novembro, no Espaço Riesco, na cidade empresarial, que coincidiu com a semana da Campanha do Dia Mundial de Diabetes.

O congresso contou com aproximadamente 2.250 participantes de toda América Latina, entre eles 220 representantes do Brasil. O Dr. Ruy Lyra, presidente da Comissão de Comunicação da SBEM, foi um dos representantes da entidade. O presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Dr. Saulo Cavalcanti, e os vices Dr. Balduíno Tschiedel, Dr. Ruy Lyra da Silva Filho e Dr. Walter José Minicucci também estiveram presentes. Segundo o Dr. Saulo, o Brasil teve uma importante participação no evento não só pelo número de inscritos, como pela qualidade dos palestrantes, com abordagens temáticas interesantes sobre o tratamentos do diabetes. Entre os speakers brasileiros estavam membros da SBEM e da SBD: Dr. Carlos Negrato, Dr. Sérgio Dib, Dra. Marilia de Brito Gomes, Dr. Marcos Tambascia, Dr. Mario Saad, Dr. Antonio Chacra, Dr. Antonio Carlos Lerário, Dr. Edgard Niclewicz e Dr. Bruno Geloneze.

A secretária executiva do Congresso, a chilena, Dra. Carmen Gloria Aylwin, ressaltou que os objetivos alcançados ultrapassaram as expectativas, pela quantidade de inscritos e pelo alto nível das conferências. Ela acredita que o evento tenha sido uma ótima oportunidade para que Chile e Brasil estreitem os laços na luta contra o diabetes, destacando que os dois países possuem um excelente nível de endocrinologistas e de pesquisadores. “Deveríamos manter o intercâmbio entre eles, já que a maioria dos países latinos tem fortes relações com os Estados Unidos e Europa". A Dra. Carmem ressaltou que um dos destaques do Congresso foi justamente melhorar e fortalecer as relações entre todos os profissionais da área de diabetes da América Latina, para que, deste modo, informações importantes sobre tratamento e prevenção circulem por todos estes países.

Atual Estado do Diabetes na América Latina

O presidente do congresso da ALAD 2010, o mexicano, Juan Rosas Guzmán, realizou uma palestra sobre atual estado do diabetes na América Latina. Nela, ele comenta que todos os países latinos estão sofrendo com as mudanças nos costumes culturais, gerados pela globalização, como as horas que se passam na frente da televisão e no computador, além da pouca atividade física.

Outro fator preocupante para os países latinos é o aumento do diabetes não somente nas populações urbanas como também nas rurais latinas, assim como nas populações indígenas. Rosas comentou que os processos da globalização estão atingindo todos os setores da sociedade, por isso destaca a importância e a responsabilidade das famílias na melhora dos hábitos cotidianos, com uma boa alimentação e o incentivo a prática de esporte.

As escolas, assim como os organismos públicos, também exercem um papel fundamental na prevenção e educação do diabetes, sendo este um dos pilares da Campanha do Dia Mundial do Diabetes este ano. Ressaltou também que as pessoas deveriam ser incentivadas a medir a glicemia voluntariamente, ou por meio de uma indicação médica. Segundo o médico, o índice glicêmico utilizado pela ALAD como normal é até 100mg/dl. Ele também sugere a medida da cintura como outro procedimento preventivo do diabetes. As mulheres acima de 88 cm têm o risco de desenvolver diabetes e o homem acima de 94 cm.

Para ele, são estas medidas simples que devem ser divulgadas entre os diversos organismos e meios de comunicação e podem ajudar, diretamente, as pessoas a ter consciência do diabetes, levando, mais rapidamente, a procura de um especialista antes das complicações trazidas pela doença.

Ações Públicas no Controle da Pandemia Mundial

Em outra palestra, o assessor da diretoria do Colégio Americano de Endocrinologia, Jaime Davidson, destacou a importância em criar resoluções mundiais para o diabetes, já que a doença crônica é considerada uma pandemia mundial. Segundo o Dr. Jaime, o papel que os governos e suas políticas públicas de saúde desempenharão são fundamentais, pois na maioria dos países são os próprios governos que ajudam a financiar o tratamento e os medicamentos para a população carente e sem recursos.

Destacou também que campanhas de prevenção primária são tão importantes quanto às campanhas de prevenção secundária. Davidson explicou que é muito mais barato realizar campanhas preventivas do que deixar que a doença se propague, assim como o tratamento das complicações crônicas.

As estatísticas mundiais reveladas pelo Dr. Jamie são alarmantes. Na América Latina a expectativa para 2050 é um crescimento de 100% no número de pacientes diabéticos no México. No país, o diabetes é a primeira causa de morte entre mulheres e a segunda entre os homens; nos Estados Unidos existem aproximadamente 25 milhões de pacientes diabéticos e nos países asiáticos este número também está crescendo. Segundo os dados apresentados, a Índia tem 50 milhões de diabéticos, sendo que são populações com menos massa corporal do que os do Ocidente.

A mensagem central era que necessidade de mudanças nos hábitos da população, como sedentarismo e a ingestão de alimentos calóricos e com baixo poder nutricional, é fundamental. Para que isso seja possível, os especialistas sugerem um plano de ação mundial que permitiria controlar o avanço do diabetes, assim como ajudar a financiar tratamentos em países subdesenvolvidos. Ainda na apresentação do Dr. Davidson, foi exposta a desigualdade no tratamento do diabetes entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos.

Para tentar romper este padrão, uma comissão de médicos de diversos países latino-americanos, no qual o Dr. Davison faz parte, está criando planos de saúde para os governos que se serão entregues à Organização Panamericana de Saúde (OPS). O objetivo é incentivar a compra de melhores medicamentos para o controle do diabetes. Investir na saúde dos países, na visão do Dr. Jaime Davidson, deveria ser uma das prioridades dos governantes já que uma baixa qualidade de vida saúde provoca deficiências, inclusive na produtividade dos trabalhadores, o que foi comprovado cientificamente.

Trabalhos Interdisciplinares

Um dos enfoques do XIV Congresso da ALAD 2010 foi a interdisciplinariedade no tratamento do diabetes, nesse sentido estiveram presentes no evento não apenas os médicos ligados à doença, mas também profissionais de outras áreas.

Uma das representantes brasileiras foi a educadora física e doutoranda em ciências da saúde, a brasiliense, Jane Dullius, que há 39 anos é diabética, e que desde 2001 coordena, na Universidade de Brasília, o Programa "Doce Desafio: Diabetes, Educação em Saúde e Atividades Físicas Orientadas". Jane é doutora em Educação em Diabetes e ministrou uma conferência no congresso, além de apresentar 16 posters e orientar duas alunas na apresentação de três trabalhos livres orais. Os temas foram: Crianças e Prevenção de Diabetes; Qualidade de Vida e Adesão; e Exercícios Físicos orientados.

Outro importante exemplo de trabalho interdisciplinar no tratamento de diabetes foi apresentado pelo especialista brasileiro Edgard D'Ávila Niclewicz, do Centro de Diabetes de Curitiba. Ele pontuou a importância do tratamento intensivo com insulina no paciente diabético internado. Ele explica que muitos pacientes diabéticos internados por outras causas não recebem, na maioria das vezes, um tratamento adequado durante a internação. Para a melhora deste quadro hospitalar, ele destaca a importância de instruir todos os profissionais da saúde, não somente sobre o diabetes como também sobre suas complicações.

Segundo o endocrinologista, a parceria entre médicos de distintas áreas e outros profissionais da saúde possibilita um tratamento interdisciplinar, gerando um controle maior da glicose, prevenindo deste modo a descompensação diabética. Com isso, há uma melhora na qualidade da internação e uma diminuição dos dias de permanência no hospital, gerando menos gastos e acelerando a melhora do paciente. Ele destacou também a necessidade de uma postura pró-ativa do paciente diabético, que deve em qualquer internação comunicar, imediatamente, o médico de sua doença crônica.

Dicas Básicas e Eficientes aos Profissionais de Saúde

Em um dos Simpósios do Alad 2010 o tema abordado foi "Otimizando a administração da insulina". De um modo muito dinâmico os doutores Kenneth Strauss, dos Estados Unidos, e Sergio Zúñiga, do México, deram dicas que servem, também, aos próprios pacientes diabéticos. No início da apresentação, o Dr. Strauss fez uma autocrítica ao seu trabalho clínico: "Em muitos anos eu nunca havia perguntado a meus pacientes sobre a mecânica da injeção".

Em seguida expôs dados como o de que 87% de pessoas com diabetes no mundo injetam insulina por meio de seringas, devido, principalmente, ao baixo custo, comparado com as canetas de aplicação de insulina. Outro dado apresentado foi que 48% dos pacientes que aplicam insulina sofrem de lipohipertrofia, que atinge o tecido celular subcutâneo continuamente, levando ao endurecimento da região e incômodo entre os pacientes. O fato é um ponto negativo para o tratamento. Para alterar esta situação, o médico recomenda que seja ensinado aos pacientes o rodízio de aplicação, dividindo o abdômen em quatro partes, fazendo uma rotação.

Denunciou também certos mitos em relação a cor da pele ou idade. Não existe comprovação científica que homens e afrodescentes têm pele mais grossa, assim como não é verdade que os idosos têm pele mais fina que os mais jovens. O Dr. Zúñiga destacou a importância do médico em recomendar diferentes tipos de agulha, já que a cada faixa etária existe uma mais recomendável.

Revelou também que apenas 36% dos pacientes afirmaram que sua pele havia sido examinada por seus médicos. Além disso, o mexicano enfatizou que a seringa ainda é o modo mais comum de aplicar insulina na América Latina e, por isso mesmo, ele pontua, que apesar dos custos mais altos da aplicação por caneta, as vantagens de seu uso são importantes: menor nível de dor, melhor adesão ao tratamento, além de ser um método de maior segurança na definição da dosagem.

Novo presidente da ALAD

No dia 10 de novembro, iniciou o mandato do novo presidente da ALAD, o colombiano, Ivan Dario Sierra. O novo presidente já tem um desafio na nova gestão que é aumentar o número de associados da ALAD, para que esta se torne cada vez mais forte e reconhecida. O aprimoramento da revista científica da ALAD e criação de boletins informativos, ambos online, também são algumas das medidas do novo presidente, assim como também promover cursos presenciais de atenção primária aos novos profissionais.

Através dessas ações, melhorar o contato direto com eles, para que desse modo eles tenham ainda mais conhecimento sobre a entidade.