Manejo do Bócio Multinodular Atóxico na America Latina

Eventos Médicos

Manejo do Bócio Multinodular Atóxico na America Latina

por site em 15 de abril de 2021


Mini-Conferência – I CBAEM – 27/07/05, às 13h30min, Sala Tobias Barreto
Palestrante: Leandro Arthur Diehl – Universidade Estadual de Londrina (PR)

O bócio multinodular atóxico (BMNA) é uma das patologias tireoidianas mais prevalentes no mundo todo. Entretanto, o manejo ideal de um paciente com BMNA ainda é controverso, em parte devido à carência de estudos clínicos bem desenhados para dar suporte à elaboração de guidelines. Diferenças importantes nas preferências diagnósticas e terapêuticas com relação ao BMNA foram demonstradas por inquéritos realizados na Europa, América do Norte, Austrália e, mais recentemente, na América Latina.

O inquérito realizado na América Latina foi conduzido em 2003-2004 entre membros clinicamente ativos da Sociedade Latino-Americana de Tireóide (LATS), que foram convidados por e-mail a responder a um questionário online. O questionário apresentava um caso fictício idêntico ao utilizado nos inquéritos anteriores (mulher de 42 anos com bócio de 60-80g e moderado desconforto local, sem sintomas de disfunção), seguido de onze variações desse caso-índice, e solicitava a conduta diagnóstica e terapêutica dos participantes em cada caso. Os dados deste estudo foram comparados com os inquéritos prévios realizados na Europa e América do Norte.

Dos 148 profissionais que responderam, 96% solicitaram TSH para o caso-índice, enquanto anti-TPO foi sugerido por 3/4 e calcitonina, por 5% (na Europa, calcitonina foi solicitada por mais de 30% dos respondentes). Quase 90% realizariam ultrassonografia e 88% indicaram punção aspirativa com agulha fina, enquanto cintilografia foi proposta por 16% (27% na Argentina e 10% no Brasil). O uso de procedimentos de imagem foi mais disseminado entre europeus e latino-americanos que entre norte-americanos.

No tratamento do caso-índice, a maior parte dos participantes preferiu o acompanhamento, sem intervenção (40%), e o restante dividiu-se entre cirurgia (28%), supressão com levotiroxina (21%) e radioiodoterapia (7%). A supressão com LT4 foi menos sugerida na América Latina, em comparação à Europa e aos Estados Unidos, e dentro da América Latina foi mais comum na Argentina (42%). Apenas médicos brasileiros indicaram iodo-131 para o caso-índice. Se o paciente apresentasse TSH supresso, uma maior proporção dos participantes indicaria iodo-131 (45%), ao passo que, se houvesse suspeita de malignidade ou bócio volumoso com grande desconforto, a maioria indicaria o tratamento cirúrgico (até 78%). A indicação de cirurgia foi mais comum entre latino-americanos, no caso-índice, e mais freqüente entre latino-americanos e europeus, para as variantes.

Endocrinologistas indicaram cintilografia, punção aspirativa, supressão com LT4 e iodo-131 com mais freqüência que cirurgiões, enquanto os últimos optaram mais freqüentemente por tireoidectomia (60% no caso-índice).

Podemos concluir, com esses dados, que não há uma padronização da avaliação e/ou tratamento do BMNA, sendo que os tireoidologistas latino-americanos usam menos cintilografia e supressão com LT4, mas indicam o tratamento cirúrgico com mais freqüência que seus colegas da Europa e América do Norte.

Referência Bibliográfica:

Diehl LA, Garcia V, Bonnema SJ, Hegedüs L, Albino CC, Graf H 2005 Management of the nontoxic multinodular goiter in Latin America: comparison with North America and Europe, an electronic survey. J Clin Endocrinol Metab 90(1):117-123.