Líder em Amputações

relogio 09/03/2009 - 14:54

por Sandra Malafaia

“O Rio de Janeiro é o estado com maior índice de amputações de membros causadas por diabetes”. A frase foi dita pelo Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, durante a apresentação do Programa de Desenvolvimento da Gestão em Saúde, ocorrida no dia 6 de março, na capital carioca. Além do ministro, participaram do encontro o prefeito da cidade, Eduardo Paes; o secretário municipal de Saúde, Hans Dohmann; e o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha.

O programa, considerado como um esforço de recuperação das emergências da cidade, prevê a contratação de 380 médicos, através de seleção pública, para os hospitais Miguel Couto, Salgado Filho, Souza Aguiar e Lourenço Jorge. E, mesmo estando o estado no topo da escala numérica das amputações por diabetes, no rol de novos profissionais a serem admitidos não consta o endocrinologista.

Na lista das contratações a serem efetuadas estão anestesistas, cardiologistas, clínicos, cirurgiões geral, vascular e plástico, neurocirurgiões, ortopedistas, otorrinolaringologistas, pediatras e radiologistas. Segundo o prefeito, esta é apenas a primeira etapa da reestruturação do sistema de saúde.

Para a Dra. Hermelinda Pedrosa – representante do Grupo de Trabalho Internacional sobre o Pé Diabético e coordenadora do Departamento de Pé Diabético da Sociedade Brasileira da Diabetes (que é um Departamento de SBEM) –, tendo em vista o grande número de amputações, é curioso que a prefeitura do Rio não invista na prevenção e no tratamento do diabetes, já nesse primeiro momento de contratações.

Segundo a especialista, a educação e prevenção do diabetes, assim como a identificação do problema, a classificação do risco, a organização e o agendamento de acordo com o grau de emergência do paciente são medidas eficazes para a diminuição de 50 a 70% de amputações.

O Dr. Ricardo Meirelles, o novo presidente da SBEM (gestão 2009/2010), comentou sobre o assunto, em seu discursso de posse, na noite de 7 de março de 2009. "Precisamos lutar pela contratação de mais endocrinologistas, para que atendam na rede básica de saúde. É fundamental que o conhecimento endocrinológico esteja presente nos serviços de atendimento primário e não somente nos grandes centros ou serviços especializados. Os pacientes endocrinopatas devem ser atendidos mais precocemente e mais bem tratados. Só assim poderão ser evitadas as graves complicações, com suas limitações funcionais, diminuição da capacidade laborativa, dependência de terceiros e morte prematura", disse ele.