Ingestão de Cálcio e Atividade Física na Prevenção e Tratamento da Osteoporose

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Ingestão de Cálcio e Atividade Física na Prevenção e Tratamento da Osteoporose

por site em 15 de abril de 2021


Luiz Henrique de Gregório

Uma boa nutrição é essencial para o crescimento normal. Uma dieta balanceada, com valor calórico adequado e nutrientes apropriados, é fundamental para o desenvolvimento da todos os tecidos, incluindo o osso. A suplementação com cálcio e vitamina D pode ser necessária, visto que nem todos seguem uma dieta adequada para saúde do osso.

O cálcio é o nutriente mais importante para a obtenção do pico de massa óssea e para a prevenção e tratamento da osteoporose. Existem dados sufcientes para recomendar ingestão da cálcio específica para cada faixa etária. Embora o NH recomende uma ingestão de 800 mg/dia para crianças de 1 a 5 anos, 800 a 1200 mg/dia para crianças de 6 a 10 anos, 1200 a 1500mg/dia para adolescentes e adultos jovens de 10 a 24 anos, estima-se que apenas 25% dos meninos e 10% das meninas nesta faixa etária atinjam esta recomendação.

Para os adultos, a ingestão de cálcio deveria ser de 1000 a 1500mg/dia, mas apenas 50 a 60% desta população atinge esta recomendação .

A vitamina D é necessária para uma absorção adequada de cálcio. Na primeira infância, em geral, esta necessidade é suprida com a ingestão do leite enriquecido com vitamina D. Durante a adolescência, a utilização de leite e derivados diminui e a ingestão de vitamina D e pode não ser suficiente, prejudicando a absorção do cálcio. Uma ingestão de 400 a 800 UI/dia é recomendada para o adulto. Uma dieta rica em proteínas, cafeína, fósforo e sódio pode afetar o balanço do cálcio, mas seu efeito parece não ser importante em indivíduos com ingestão adequada de cálcio. Embora a suplementação de cálcio possa causar hipercalciúria, o risco de nefrolitíase não aumenta em mulheres na pós-menopausa com ingestão aumentada de cálcio. Deve-se ter cuidado, entretanto, em indivíduos com história de cálculo renal. O cálcio e a vitamina D devem estar sempre associados às terapias da osteoporose, e isoladamente revertem o hiperparatireoidismo secundário do idoso e reduzem o risco de fratura do quadril em pacientes institucionalizadas.

A atividade física regular é benéfica para indivíduos de todas as faixas etárias. Os efeitos da atividade física sobre o tecido ósseo estão bem determinados em vários estudos clínicos. Existem evidências de que a atividade física contribui para a obtenção de um pico de massa óssea maior.

Os exercícios da resistência e de alto impacto são os mais recomendados. Na idade adulta, os exercícios trazem uma série de benefícios, entretanto, poucos trabalhos foram publicados sobre os efeitos destes sobre a massa óssea. No idoso com ingestão adequada de cálcio e vitamina D, os exercícios apresentam um discreto efeito na redução da perda de massa óssea. O exercício, nesta faixa etária, pode aumentar a força e a massa muscular, melhorando a coordenação e o equilíbrio e diminuindo as quedas em aproximadamente 25%. É possível que os idosos que praticam exercícios caiam de forma diferente e tenham menor risco de fraturas, mas esta hipótese ainda necessita comprovação. O exercício no idoso melhora ainda a postura, aumenta a flexibilidade, melhora a função cardiovascular, a depressão e a qualidade de vida.