Endocrinologia Pediátrica

A Construção de um Congresso Deve Ser Centrada nas Pessoas: Os Bastidores do EBEP 2026

Mais do que reunir uma programação científica de alto nível, a organização de um evento precisa envolver uma experiência acolhedora, inspiradora e inclusiva. Essa foi a proposta do EBEP 2026.

Da ampliação dos espaços à valorização das associações de pacientes, passando por novas dinâmicas de palestras, cada detalhe foi pensado para colocar as pessoas no centro do Congresso. Em entrevista, o presidente do evento, Dr. Luiz Claudio Castro, compartilhaouas decisões que nortearam a organização, os aprendizados incorporados a partir da edição anterior e análises para os futuros eventos da área.

Reportagem SBEM: Vocês conseguiram implementar, nesta edição, as sugestões que surgiram após o congresso anterior?

Dr. Luiz Claudio Castro: Sim. Nós, da Comissão Organizadora, fizemos uma avaliação muito cuidadosa da edição anterior. Identificamos os pontos fortes, que receberam elogios e deveriam ser mantidos ou aperfeiçoados, e os aspectos que precisavam ser melhorados. Trabalhamos exatamente sobre esses pontos para que as pessoas se sentissem acolhidas, abraçadas e aproveitassem ainda mais o congresso. Foi um processo de aprendizado que trouxe resultados importantes na edição 2026.

Reportagem SBEM: Houve algum pedido específico dos participantes que chamou mais atenção e acabou sendo incorporado?

Dr. Luiz Claudio Castro: Sim. Um dos principais comentários foi sobre algumas salas que ficaram muito cheias na edição anterior para acompanhar as apresentações. Para resolver isso, ampliamos a capacidade do evento.

Criamos mais uma sala para as atividades “Conversa no Parque de Exposição “, com cerca de 150 lugares, e passamos a utilizar o maior auditório durante todo o dia. Em 2024, esse auditório era reservado para as conferências de abertura e encerramento. Em 2026, ele recebeu atividades continuamente, o que distribuiu melhor o público entre as salas e permitiu que todos acompanhassem a programação com muito mais conforto.

Reportagem SBEM: A bolsa/sacola do congressista chamou bastante atenção. Como surgiu a ideia?

Dr. Luiz Claudio Castro: Essa foi uma ideia que surgiu depois que participei de um congresso aqui em Brasília e recebi uma bolsa semelhante, que por algum motivo me cativou, não só por ser algo diferente, artesanal, mas tinha algo a mais. Quando soube da história por trás da bolsa, eu me emocionei. A bolsa foi confeccionada por mulheres que enfrentaram o câncer de mama.

Ela vai muito além de um brinde. Carrega uma mensagem de superação, de esperança e de continuidade. É uma bolsa bonita, que recebeu elogios, mas, principalmente, transmite um sentimento muito positivo. Ela simboliza a vontade de seguir em frente e de contribuir para tornar o mundo um lugar melhor.

Reportagem SBEM: Como foi o trabalho desenvolvido em parceria com as associações de pacientes?

Dr. Luiz Claudio Castro: Esse foi um dos aspectos mais especiais do congresso. As associações de pacientes realizam um trabalho extraordinário. Elas ajudam a transformar a vida dos pacientes e de suas famílias. Elas precisavam estar lá.

Muitos médicos já conheciam essas instituições, mas nem todos. Por isso fizemos questão de convidá-las e oferecer um estande como cortesia para que pudessem apresentar seu trabalho, estabelecer contato com os profissionais e mostrar como podem apoiar os pacientes.

Quando o médico conhece essas associações, consegue encaminhar seus pacientes para uma rede de apoio extremamente qualificada. É um trabalho ético, sério e que faz diferença para pacientes, familiares, médicos e todos os profissionais envolvidos no cuidado.

Reportagem SBEM: A programação científica chamou atenção porque as sessões receberam títulos diferentes, mais inspiradores. Como foram as escolhas?

Dr. Luiz Claudio Castro: Esse foi exatamente o objetivo: inspiração. Queríamos que os palestrantes utilizassem o coração para construir suas apresentações.

Quando colocamos apenas um título técnico para uma mesa científica, a programação pode ficar mais fria. O conhecimento científico é fundamental, mas acreditamos que ele pode ser transmitido de forma mais humana e inspiradora.

Afinal, cuidar é ciência e também é arte. Queríamos que cada palestra fosse capaz de inspirar as pessoas. Os títulos foram pensados para provocar essa reflexão.

Reportagem SBEM: Para finalizar, qual é o balanço desta edição do congresso?

Dr. Luiz Claudio Castro: Nosso maior objetivo era que todos se sentissem acolhidos. Tivemos participantes com décadas de experiência, profissionais em diferentes momentos da carreira e muitos que estão começando agora.

Queríamos que cada um deles tivesse a sensação de que este congresso foi feito para ele, que encontrasse respostas para suas dúvidas e conteúdos adequados ao seu momento profissional.

Trabalhamos para que todos, independentemente do tempo de caminhada na especialidade, saíssem daqui com a certeza de que este congresso lhes pertenceu e atendeu às suas expectativas. Esse era o nosso principal compromisso, ver as pessoas felizes, certas de que valeu a pena mudarem suas rotinas, os que são de outras cidades terem deixado suas famílias e trabalho para estar aqui durante três dias; que todos voltassem diferentes para suas casas, cidades, sua rotina acadêmica ou profissional.  Os sorrisos estampados nos rostos dos participantes nos disseram que conseguimos alcançá-lo. Foi um lindo trabalho de equipe!