Disfunção Tireoidiana nas Brasileiras com Mais de 35 Anos

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Disfunção Tireoidiana nas Brasileiras com Mais de 35 Anos

por site em 15 de abril de 2021


Prevalência de Disfunção Tireoidiana e Anticorpo Anti Peroxidase (Anti -Tpo) em Amostra Probabilística de Mulheres Acima de 35 Anos no Município do Rio de Janeiro – Dr. Mario Vaisman

Dados da literatura internacional indicam alta prevalência de disfunção tireoidiana, particularmente, em mulheres a partir da quarta e quinta décadas de vida. Como não existem estatísticas brasileiras, objetivamos neste trabalho estimar a prevalência de disfunção tireoidiana e anti-TPO positivo numa amostra de base populacional, em mulheres acima de 35 anos do Município do Rio de Janeiro.

O desenho do estudo teve a colaboração de pesquisador do IBGE e selecionou uma amostra probabilística representativa da população-alvo do estudo, em três estágios (setor censitário, domicílio, mulher).

A amostragem dos setores com base no censo realizado pelo IBGE em 2000 foi de 1500 domicílios a serem visitados, nos quais uma mulher elegível para o estudo deveria ser avaliada. Deste total conseguimos incluir 1292 mulheres.

Em relação ao hipotireoidismo (clínico + subclínico) a prevalência foi de 12,3%, sendo 5,2% clínico ( TSH > 4mUI/ml e T4 livre baixo). Já TSH < 0,3mUI/ml, caracterizando hipertireoidismo subclínico, foi encontrado em 3,5%. Este elevado percentual se justifica pelo uso indiscriminado de "pílulas para queimar gordura", feitas em farmácias de manipulação, que provavelmente continham T3 e , ou T4, na sua composição, de acordo com o que temos constatado na prática diária.

A prevalência de anti-TPO + em todo o grupo foi de 14,5% e teve uma significativa associação com hipotireoidismo (49%) e hipertireoidismo (33%), mas não com eutireoidismo (9%). Na população livre de disfunção, a média de TSH foi de 1,7mUI/ml, que caiu para 1,6mUI/ml ( 95% CI 1,5-1,69), quando computadas apenas as mulheres anti-TPO negativas. Os níveis de TSH, a prevalência de hipotireoidismo e de anti-TPO + aumentaram com a idade.

Confirmamos os achados da literatura de uma maior prevalência de hipotireoidismo em brancas em relação às negras e, ainda não descrito, também em relação às pardas. Não houve diferenças em relação a hipertireoidismo, nem a positividade de anti -TPO.

Nossos dados confirmam uma alta prevalência de hipotireoidismo, associada particularmente à presença de doença auto-imune (anti-TPO+), em concordância com outros estudos de bases populacionais.

Outro resultado de grande relevância foi a constatação do uso abusivo de fórmulas, utilizadas em regimes para emagrecimento, com os potenciais riscos do hipertireoidismo subclínico, particularmente para mulheres acima de 40-50 anos.