CBEM 2012: Novos Medicamentos para a Obesidade – Quando Virão?

relogio 09/11/2012 - 11:28 Congresso Nacional

Novos estudos, medicamentos e novidades no tratamento da obesidade foi o tema apresentado pela presidente do Departamento de Obesidade da SBEM, Dra. Rosana Radominski , na manhã desta sexta-feira.

A especialista chamou a atenção para o grande número de obesos no mundo. Segundo ela, cerca de 10% da população mundial têm obesidade. Em relação ao Brasil, os números sobem para 50%, no caso de excesso de peso e cerca de 15% de obesos. “Nos Estados Unidos, a doença causou mais de 300 mil mortes prematuras, mas apesar dos números alarmantes e da necessidade de tratamento, a obesidade está órfã de fármacos devido às recentes proibições de medicamentos no mundo”, disse.

De acordo com Dra. Rosana, existem vários medicamentos em estudo,  muitos na fase I, outros na fase II e raros na fase III, entre eles o liraglutide. A especialista, no entanto, focou sua apresentação nos fármacos já aprovados ou em fase de aprovação pelas agências regulatórias.

  • Locarserina – um agonista seletivo dos receptores 5HT, que auxilia no aumento da saciedade. Segundo os estudos recentes, promove a perda de peso de cerca de 5,8%, contra 2,5% no placebo. Em relação às alterações metabólicas, houve redução da hemoglobina glicada e redução de outros fatores de risco cardiovascular. Entre as reações adversas, estão cefaleia, náusea, constipação, tonturas, entre outros. O medicamento foi aprovado em 2012 pelo FDA e deve começar a ser vendido em 2013.
  • Associação dos fármacos fentermina e topiramato – estudos feitos com a associação das duas drogas mostram a perda de peso de 10,9%, em relação a 1,6% com o placebo. Entre os fatores adversos estão boca seca, constipação, insônia, parestesias, porém, atenuados com o tempo.  Em julho de 2012 foi aprovado pelo FDA e chegará ao mercado com o nome de  Qsymia, porém a associação da droga foi negada pela Agência Europeia alegando o risco cardiovascular e efeitos psiquiátricos.
  • Associação dos fármacos naltrexona e bupropriona – Entre as reações adversas estão os efeitos gastrointestinais, tonturas, tremores e constipação. De acordo com estudos, os fármacos promovem uma redução de 6 a 6,4% dos peso, contra 1,3% do estudo placebo. O medicamento foi negado pelo FDA e solicitou um estudo de longa duração, que está sendo feito.

Segundo Dra. Rosana, as chances dos medicamentos chegarem ao Brasil dependem ainda de estudos e do posicionamento da Anvisa. “No caso do topiramato com a fentermina, estamos na dependência da Agência permitir a importação da  fentermina, já que existe uma lei de 1998 que proíbe. Em relação ao contrave, eles estão aguardando o término do estudo cardiovascular e, antes disso não deve ser pedida a aprovação”, afirma. “O fato do medicamento ser aprovado pelo FDA e pela Agência Europeia facilita a aprovação por parte da Anvisa”, completa.

 

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