CBAEM/COPEM: ABE&M em Foco

relogio 26/08/2011 - 11:00 Notícias

O horário não era dos mais atraentes – 7h, mas a realização do primeiro simpósio “ABE&M em Foco”, durante o CBAEM/COPEM, com apresentações práticas sobre publicação de trabalhos científicos, atraiu um número grande de endocrinologistas.

Segundo o Dr. Sérgio Dib, editor dos ABE&M, o simpósio foi montado pensando em diversas fases, incluindo desde o momento de montar um projeto, passando pela obtenção de verbas em projetos até o julgamento quando está publicado. “Os palestrantes abrangeram muito bem as três áreas”, disse o editor.

Em relação a trabalhos recebidos pelos Arquivos, o editor explica que existem dificuldades, pois alguns autores não seguem todos os requisitos necessários e, consequentemente, aumenta a dificuldade de acertar o artigo para publicação. “O simpósio serviu para que, de certa forma, pudéssemos passar questões básicas e fundamentais aos interessados na submissão de artigos em condições de serem publicados. Ele comenta que é difícil de entender porque os trabalhos são encaminhados com alguns erros considerados básicos. “O autor já deveria submeter o artigo dentro do formato solicitado, obedecendo aos critérios, mas não é isso que acontece”.

Nos arquivos, o processo de submissão ainda não possui um sistema automático onde ao não cumprir todas as etapas, o trabalho não seria aceito. “A dinâmica é: corretora de formatação, depois para os revisores e volta para os autores. Os autores corrigem e submetem. Apesar disso, no fim do processo ainda existem, algumas vezes, problemas a serem resolvidos”.

Os ABE&M recebem um grande fluxo de artigos e os revisores estão sobrecarregados. “Precisamos de mais revisores aptos para o trabalho. A sobrecarga provoca um certo congestionamento na hora da submissão. Mesmo assim temos tentado manter o número”.

Entre os pontos positivos, mencionados pelo Dr. Sérgio, está o Fator de Impacto – de 0.6 para 1.009 – é superior a 1, o que faz com que a revista seja considerada de impacto significante. O fato aconteceu durante a gestão da Dra. Edna Kimura, ex-editora dos Arquivos. A análise é feito por duas agências internacionais, que calcula número de arquivos publicados e o número de citações feitas pelo artigo publicado. O importante não é ter um grande número de arquivos publicados e sim um número que seja citado. Ou seja, arquivos de qualidade.

Dicas e colocações dos especialistas do Simpósio ABE&M em Foco

- Dr. Mário Saad:

  • Se você trabalhar bastante vai ter sorte e se não fizer isso a sorte não vem.
  • É preciso saber o que está acontecendo no mundo e conectar com seus projetos.
  • O bom pós-graduando deve ter simultaneamente: 1 trabalho aceito, estar respondendo a um revisor, escrevendo um terceiro artigo, realizando um experimento e pensando em dois outros trabalhos.
  • Leia pelo menos dois livros de Machado de Assis, observando o estilo.
  • Mesmo sem concordar com ele, leia a coluna do Helio Gasperi, pelo menos uma vez por semana.
  • Tenha um bom português.
  • Descreva os métodos com detalhes.
  • Explique a utilização de termos não usuais.
  • Não se abale com respostas negativas. Elas fazem parte do dia a dia. São normais.
  • Projetos de Pesquisa - 10 mandamentos na escolha de um projeto de pesquisa: (1) Antecipe os resultados antes de realizar o primeiro estudo; (2) Escolha uma área de amplo interesse; (3) Procure uma área ainda não ocupada, mas com potencial; (4) Assista a conferências e leia artigos fora de sua área de interesse; (5) Construa um tem; (6) Encontre um balanço entre projetos de baixo e de alto risco, mas inclua, sempre na sua rotina, projetos de alto risco (trabalhe dois dias/semana em projetos não financiados); (7) Esteja preparado para seguir um projeto na profundidade necessária; (8) Diferencie-se do seu orientador; (9) Não se iluda que pesquisa clínica excelente é mais fácil que pesquisa básica de excelência; (10) trabalhe concentrado em uma área.

Outras sugestões na escolha de um Projeto de Pesquisa:

  • Esteja preparado para vender suas ideias.
  • Credibilidade local, nacional, internacional.
  • Encontre colegas com valores semelhantes para discutir ideias, planejar experimentos e expressar frustrações.
  • Pós-doutorados e, depois, pós-doutores.
  • Trabalha bastante.

- Dr. Antonio C. Bianco

  • A maioria das pessoas começa a escrever o manuscrito. Alguns grupos escrevem diariamente no fim do dia. São duas visões.
  • Escreva como se estivesse contando uma história, com os termos mais simples possíveis.
  • Comparando com o jornalismo: Desperte o interesse no leitor no início.
  • Não invente, não tente colocar resultados a mais para aumentar o trabalho.
  • Seja breve, claro, transparente, cristalino.
  • Utilize um inglês correto – contrate uma empresa de tradução, se for necessário. Os erros farão com que o autor perca pontos no resultado final.
  • Sequência ideal: (1) Resultados, (2) Figuras / tabelas, (3)  Legenda das imagens.
  • Nunca comece ou termine com resultados negativos. O primeiro resultado do trabalho deve ser muito bom.
  • O resumo é a parte mais importante do trabalho – “se o leitor não gostar do resumo, não continuam a ler”. A maior parte das pessoas só irá ler o resumo do seu trabalho.
  • Título: quanto mais bombástico melhor. Evite títulos que contem sobre o resumo do trabalho. Lembre que uma revista científica funciona como um jornal.
  • Seja inclusivo e não exclusivo. Não conquiste inimigos e sim futuros colaboradores.
  • Observe que algumas revistas pedem para que o papel de cada autor seja esclarecido.
  • Bibliografia – Use o Endonote, mostre que trabalhou na área, use o equilíbrio entre as suas publicações citadas e de outros.
  • Nunca copie sentenças de outras publicações. Revistas trabalham com softwares que captam essas informações.
  • Escreva de forma impessoal sem citar o nome dos autores.
  • Se você copiou, o autor não vai gostar mesmo que suas intenções tenham sido as melhores.
  • Não desanime com uma recusa de um trabalho. Isso faz parte. Teve um paper recusado parta para outro.

- Dr. Ricardo Brandt de Oliveira

  • Definição do Fator de Impacto: Divisão entre o número total de citações recebidas no ano pelos artigos publicados no período nos dois anos anteriores e total dos artigos citáveis naquele periódico no mesmo período.
  • Observar questões criticadas: discussão sobre a avaliação de citação no período de  dois anos serão indicadores da relevância do artigo; pico de citações ocorre além dos dois anos, ou seja, uma relevância subestimada; o denominador talvez não traduza a realidade, pois as agências têm definições sobre citações que geram polêmicas.  
  • A apuração do número de citações não é uma tarefa fácil
  • Existe uma demora na computação das citações no banco de dados
  • Número de citações é o ponto importanteO fator de impacto teve uma origem interessante – a partir da década de 80 o uso foi estendido: indicador de qualidade de periódicos; qualidade de cada um dos artigos publicados nos periódicos; a autores dos artigos publicados; e finalmente as instituições a que pertencem esses autores. Ampliação ainda recebe críticas.
cbaem 2019
Proendocrino set 2018