Campanha de Valorização do Endocrinologista - História

relogio 04/06/2009 - 15:53

A Campanha de Valorização do Endocrinologista foi lançada na gestão do Dr. Amélio Godoy-Matos (2001/2002) e tem como objetivo informar à população sobre as atividades do endocrinologista e a importância destes profissionais na monitoração da sua saúde. Na ocasião do lançamento, o Dr. Amélio afirmou que a campanha pode ser considerada de marketing para a especialidade:

“Existem duas etapas, uma de anúncios na mídia, esclarecendo o que o endocrinologista faz, e a outra é de detecção de patologias endócrinas, cujo modelo já está desenvolvido pelo pessoal de Brasília, afirma. Só para exemplificar, uma vez mais, quando perguntei ao diretor da firma que contratamos, na primeira entrevista, o que ele entendia por endocrinologista, a resposta foi: “é um médico que mexe com dietas e anfetaminas”. Eu respondi que ele não sabia o que era um endocrinologista e que agora ele entendia porque o estava contratando. Espero que estejamos certos na nossa estratégia, espero que consigamos verba para levar adiante as idéias (estamos buscando patrocínios), espero que, se alguma coisa restar da gestão do grupo que honrosamente presido, que seja o legado de termos resgatado o respeito à nossa especialidade, termos iniciado o caminho para as outras diretorias fazerem crescer e profissionalizar a SBEM e termos esclarecido à população leiga sobre quem é e o que faz o endocrinologista. O objetivo final é o de encher os seus consultórios!”, afirmou ele.

Quando assumiu a presidência da SBEM Nacional, o Dr. Amélio Godoy-Matos adotou diversas ações para valorizar não apenas a Sociedade, mas também os endocrinologistas. Além das mudanças visuais na Folha da SBEM, a diretoria da Sociedade contratou uma Assessoria de Imprensa. Na época, uma revista produziu uma reportagem sobre nódulos de tireóide, entrevistando otorrinolarincologistas. A assessoria contratada entrou em contato com a redação da revista e a jornalista ouviu a SBEM. Ele acrescenta que a Sociedade é o conjunto de seus membros que representam a SBEM. Por isso solicita a todos os sócios que mencionem sempre a entidade nas entrevistas.

De acordo do Dr. Amélio, valorizar o endocrinologista é também encher os consultórios destes especialistas. “Se nos tornarmos muito forte como especialidade, podemos brigar de frente contra os convênios, que sentirão o peso de uma Sociedade Unida. Somos uma área em constante crescimento. O especialista precisa ser muito bem preparado, estudar bastante e isso é caro. São congressos, revistas, livros... O endocrinologista tem de estar bem, sob o ponto de vista econômico, para manter-se atualizado”, ressalta.

Campanhas de Visibilidade

Dentro das propostas do Dr. Amélio estiveram as campanhas de visibilidade da SBEM, que foram realizadas graças ao apoio de alguns laboratórios. Outdoors, anúncios em revistas de circulação nacional, folhetos e adesivos com divulgação para o público leigo do que faz o endocrinologista são parte deste projeto.

Editorial publicado na Folha da SBEM, em março de 2002, pelo Dr Amélio Gogoy-Matos:

“Mais um passo foi dado pela SBEM para a valorização do endocrinologista. Como todos nós sabemos, há diversos médicos que, sem qualquer formação em Endocrinologia, abrem consultórios e se dizem endocrinologistas. Em geral, dedicam-se à arte do emagrecimento, mas também, à arte do rejuvenescimento, entre outras cositas más. Chamo-os de pseudo-endocrinologistas, pois não creio que tenham direito moral e ético de exercerem a especialidade, embora o nosso colégio permita quem qualquer médico exerça a especialidade que se lhe aprouver. Infelizmente, a nossa especialidade está sujeita a estes desvios e são inúmeros os casos de emagrecedores de esquina que se dizem endocrinologistas. Cansei! E acho que vocês também devem estar cansados de terem esses sujeitos como colegas.

Há, todavia, uma prática comum, não censurável eticamente, que é a de outros especialistas conduzirem casos de patologias endócrinas. É o exemplo de outros médicos que tratam diabetes, osteosporose, conduzem casos de adenomas hipofisários ou várias outras condições ligadas à Endocrinologia. Nada de errado nesses casos, já que ninguém pode afirmar que estes colegas não sejam aptos. Mas, é indubitável que o endocrinologista é o especialista mais recomendado para tratar destas e de outras doenças endócrinas.

Nos meus tantos anos de Endocrinologia, já tive a oportunidade de desfazer inúmeras indicações de cirurgia por doenças endócrinas, principalmente de nódulos de tireóide, mas também de incidentalomas de hipófise ou supra-renal ou de desfazer diagnósticos que marcariam pelo resto da vida um paciente.

Os três mais recentes e interessantes casos foram: primeiro o de uma paciente encaminhada, por um não especialista, para a cirurgia bariátrica. Na verdade, era um caso de Cushing Factício por uso crônico de corticóide nasal (hoje está 16kg mais magra). Este caso soma-se a pelo menos outros seis que já vi ao longo da vida e cuja característica era a presença de quadro clínico Cushing com Cortisol plasmático e urinário em níveis baixos.

Outro, foi o de uma paciente com hiperprolactinemia e imagem de adenoma hipofisário ao CT, cuja hiperprolacnemia devia-se ao uso de sulpiride e, assim, normalizou após retirada do medicamento. O diagnóstico final foi, claro, de incidentaloma de gipófise e hiperprolactnemia iatrogênica.

O terceiro caso, uma jovem tratada por um excelente clínico do Rio de Janeiro, com diagnóstico de hipertireoidismo porque tinha algumas dosagens de T4 baixas, que tratava-se de uma caso de deficiência de TBG. Neste caso, o genitor também era portador do mesmo diagnóstico. São apenas alguns exemplos da verdadeira função do especialista.

Depois vem o caso desse cirurgião de Goiânia que, de fato, não é uma raridade, a nos sugerir que o momento é apropriado para tomarmos uma ação. A exemplo de outras Sociedades resolvemos, por conseguinte, criar o nosso selo de Especialista Titulado. Esse selo visa qualificar e identificar o especialista; auxiliar a população a reconhecê-los e, portanto, a se sentir mais confiante com o seu endocrinologista. Mas, em última análise, visa incentivar aquele que não obteve ainda o seu título a candidatar-se e submeter-se à prova do TEEM. A oportunidade mais próxima será em setembro, durante o Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, em Brasília.

Não devem se acanhar aqueles que não têm ainda o TEEM, embora sejam endocrinologistas com formação adequada. A SBEM considera que todos os que são sócios comprovaram sua atuação na área e a nossa secretária está instruída para orientar a população. Aliás, coincidência ou não, a SBEM tem recebido frequentes telefonemas solicitando informações sobre médicos. É obvio que todos devem se manter em dia com as anuidades para conservarem sua qualidade de sócios. Aqueles que ainda não são sócios devem solicitar sua filiação, porque é o único meio de informarmos que tal médico é endocrinologista.

Não para por aqui este movimento. Estamos juntos com a AMB estudando critérios para a revalidação do Título de Especialista. Isto quer dizer que não basta fazer uma prova, passar com boa nota e, depois, se acomodar e nunca mais freqüentar um congresso, uma jornada, etc. A idéia é, por exemplo, criarmos um sistema de pontuação através de um programa de Educação Continuada. Assim, o endocrinologista teria 5 pontos por comparecer ao congresso da especialidade, 2 pontos por comparecer a uma jornada, mais 5 pontos por atividade acadêmica, etc. No final de cada 5 anos, por exemplo, submeteria seu título à revalidação, comprovando a sua permanente presença e atualização. Enfim, é apenas um modelo e esperamos que todos contribuam com suas sugestões. Esperamos que todas essas iniciativas só venham fortalecer cada vez mais a SBEM e o Endocrinologista, razão maior da existência da nossa Sociedade.

Em junho de 2003, a então presidente da SBEM, Dra. Valéria Guimarães, publicou o seguinte Editorial, também na Folha da SBEM:

“Ao final deste primeiro semestre de 2003 estamos contabilizando avanços significativos na política de valorização da nossa especialidade. A SBEM está atuando em várias frentes e, o que é muito importante para a Sociedade que representa os endocrinologistas de todo o país, vem ampliando sua relação e sua credibilidade com a Imprensa. Através do nosso site, ele mesmo um grande sucesso, com acessos crescendo a cada mês, respondendo prontamente matérias das revistas Veja e Istoé, fizemos esclarecimentos sobre o uso do Lipostabil e da Sibutramina e disponibilizamos informações detalhadas sobre nossos encontros científicos. Jornalistas que cobrem a área de saúde têm visitado o site frequentemente e procurado a SBEM para repercutir matérias diversas”.

Em 2004, a Campanha de Valorização do Endocrinologista foi retomada e a cidade de Florianópolis serviu como sede para o projeto piloto e teve grande repercussão. A estratégia utilizada foi a utilização de busdoor (anúncio em ônibus) em 32 ônibus que circulam pelos principais pontos da cidade. A partir de então a SBEM Nacional vem estimulando diversas atividades em prol da valorização do profissional.

Até o momento, milhares de folders explicativos sobre as áreas de saúde cuidadas pelos endocrinologistas, já foram impressos e são frequentemente distribuídos pela SBEM aos seus associados, para que coloquem na sala de espera de seus consultórios. Somente na primeira remessa, durante a gestão do Dr. Amélio, foram impressos 300 mil exemplares. A SBEM Nacional lembra a todos que possui grandes quantidades destes folhetos e os interessados podem solicitá-los junto à secretaria fixa no Rio de Janeiro.

Em complemento à esta campanha, dentro da SBEM, foi criada a Comissão de Ética e Defesa Profissional Nacional e vem sendo estimulada a criação de comissões em cada regional.

Em 2009, a Retomada

Com a criação de um folheto com layout mais atrativo e moderno, a Diretoria da SBEM Nacional (Gestão 2009/2010), presidida pelo Dr. Ricardo Meirelles, retomou a Campanha de Valorização do Endocrinologista. O objetivo principal é aumentar a procura por médicos da especialidade, além de esclarecer aos pacientes sobre quem é e o que faz o endocrinologista.

A ação dá continuidade ao trabalho iniciado na gestão do Dr. Amélio Godoy-Matos (2001/2002) e pretende, além da distribuição dos folhetos em congressos e eventos, enviar cerca de cem exemplares para cada sócio quite com a Sociedade. O novo folder deverá ficar à disposição dos pacientes nos consultórios médicos.

Para se tornar um endocrinologista, o profissional precisa ser formado em medicina e ter dois anos de residência na especialidade ou cinco anos de trabalho comprovado, além de ser aprovado em concurso anual para receber o título de especialista promovido pela SBEM.
Entre suas principais áreas de atuação estão: Reposição Hormonal da Menopausa, Obesidade, Crescimento, Excesso de Pêlos, Doenças da Glândula Supra-Renal, Distúrbios da Puberdade, Distúrbios da Menstruação, Doenças da Hipófise, Diabetes, Colesterol e Triglicerídeos, Osteoporose, Andropausa e Tireóide.