Anvisa x Anorexígenos

relogio 18/02/2011 - 08:46 Informações Científicas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realiza, no dia 23 de fevereiro,  uma audiência  pública para discutir o cancelamento do registro dos medicamentos que contenham a substância sibutramina e dos anorexígenos anfetamínicos (anfepramona, femproporex e mazindol). De acordo com a Agência, tais inibidores de apetite acarretam aos altos riscos à saúde.

A indicação da Anvisa está baseada em estudos científicos e no parecer da Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme) de 26 de outubro de 2010. No documento, o órgão recomenda o cancelamento dos medicamentos.

Para a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), que fez recentemente uma extensa revisão do tratamento farmacológico da obesidade, produzindo uma diretriz para a AMB/CFM/ANS, esses medicamentos podem ser úteis nos casos em que os benefícios superam os riscos. De acordo com o presidente da Sociedade, Dr. Ricardo Meirelles, a diretriz não foi considerada pela Anvisa, embora seja a orientação oficial da AMB, CFM e ANS. “A SBEM é contra o uso indiscriminado desses medicamentos, mas considera que bani-los deixaria uma significativa parcela de pacientes com obesidade desassistidos”, afirma.

A entidade discorda das afirmações da Cateme, que afirma que os riscos de tratamento seriam maiores que seus benefícios. “O estudo foi feito em pacientes com doenças cardiovasculares, para quem a sibutramina é contraindicada, inclusive na bula”, explica. “Extrapolar esses resultados para populações sem comprometimento cardiovascular não tem qualquer respaldo científico”, completa. “Consideramos que os endocrinologistas deveriam ter sido ouvidos antes da decisão da Anvisa e participado das reuniões que analisaram os trabalhos que deram origem aos pareceres”, diz.

A nota técnica da área de Farmacovigilância e da gerência de Medicamentos da Anvisa afirma que  a sibutramina apresenta baixo coeficiente de efetividade de redução de peso e pouca manutenção de redução de peso em longo prazo. Os medicamentos anorexígenos anfepramona, femproporex e mazindol, por sua vez, apresentariam, segundo a nota, graves riscos cardiopulmonares e do sistema nervoso central.

Segundo Dr. Ricardo Meirelles, embora o tratamento da obesidade nem sempre consiga fazer com que o paciente atinja o peso ideal, uma perda de peso de 5% a 10% já é extremamente benéfica. “Essa queda no peso já melhora várias consequências da obesidade”, reitera. “A maioria dos países da América do Sul, os Estados Unidos e o Canadá também comercializam anorexígenos”, relembra.

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