Anorexígenos no Senado

relogio 07/06/2011 - 14:19
A SBEM participou, nesta terça-feira, 7 de junho, de mais uma etapa da discussão sobre a proposta da Anvisa de retirada dos medicamentos anorexígenos do mercado brasileiro. Desta vez, a Audiência Pública foi realizada na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), no Senado, e presidida pelo Senador Paulo Paim. Toda a reunião pode ser acompanhada em tempo real através do Twitter (@endocrinologia) e Facebook da SBEM.

Representando a SBEM, o Dr. João Eduardo Salles se posicionou contra o cancelamento dos medicamentos e apresentou os dados do estudo SCOUT que, segundo ele, foi realizado de maneira errada. “A própria bula da sibutramina afirma que ela não pode ser dada a pacientes com riscos cardiovasculares, mas, mesmo assim, este estudo foi feito apenas com esse tipo de pessoa”, explica. “Queremos dissecar o estudo SCOUT e ir além da conclusão”, afirmou o endocrinologista.

Outro ponto destacado pelo especialista foi em relação à prescrição médica. “Não precisamos cancelar o registro destes medicamentos, já que eles são eficazes no tratamento da obesidade, mas sim investir na educação médica para que eles possam ser prescritos de maneira adequada”, completa.

O tema prescrição médica também foi citado pelo presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Dr. Antonio Carlos Lopes. “Os anorexígenos em si não são o problema, mas sim quem os prescreve. É preciso um controle maior e a Anvisa tem condições disso”, afirmou.

Por sua vez, o Dr. Desiré Callegari, do Conselho Federal de Medicina, disse que deveria ser discutida a autonomia do médico e decidir o que é melhor para seu paciente. “A saída dos medicamentos restringe a autonomia do profissional que lida no dia a dia com seu paciente”, destacou.

A próxima etapa da discussão está marcada para o dia 14 de junho e deve contar com a presença de membros da  Food and Drug Administration (FDA) e a Agência Europeia (Emea). Todas as entidades médicas envolvidas no debate e representantes da Câmara Técnica de Mecidamentos (Cateme) e do Ministério da Saúde devem participar do painel.