Aliança Pesquisa Clínica Brasil

relogio 15/04/2014 - 15:38

No último dia 9 de abril, foi apresentada, em São Paulo, a Aliança Pesquisa Clínica Brasil, uma organização não governamental que tem como objetivo principal regulamentar a pesquisa clínica no país, e buscar um processo de aprovação menos burocrático tanto para a pesquisa como para a produção de medicamentos. Na foto, membros do comitê gestor da Aliança: Eduardo Motti, Jaderson Lima, Irani Francischetto, Luciana Holtz, Vítor Harada e Luis Augusto Russo.

A Aliança é formada por pesquisadores, associações de pacientes, associações de profissionais de pesquisa clínica e organizações responsáveis pela condução de projetos de pesquisa clínica no país e integrantes de Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs). 

As pesquisas clínicas são indispensáveis, no processo de desenvolvimento de um novo medicamento, pois é por elas que as indústrias farmacêuticas realizam testes em voluntários comparando os resultados e efeitos do novo remédio proposto com as drogas já existentes no mercado. De acordo com o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Florentino Cardoso, no Brasil, existe um grande atraso nas pesquisas científicas causado por um processo de aprovação, que leva de 12 a 15 meses. Atualmente, para que uma pesquisa de novo medicamento envolvendo seres humanos possa ser iniciada no Brasil, é necessária a aprovação da Comissão de Ética em Pesquisas Clínicas (CEP), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa Clínica (CONEP).

Florentino Cardoso

O endocrinologista Dr. Luís Augusto Russo, membro da Comissão de Pesquisa Clínica da SBEM, é um dos médicos integrantes do comitê gestor da Aliança Pesquisa Clínica Brasil. Junto com ele estão os doutores Luciana Holtz (oncologista), Vitor Harada (farmacêutico especialista em Pesquisa Clínica), Jaderson Lima (diretor científico da Sociedade Brasileira de Medicina Farmacêutica), Irani Francischetto, Gustavo Kesselring e Eduardo Motti, presidente da Aliança.

Na ocasião, a Aliança determinou que tem como proposta, a curto e médio prazo, ampliar a conscientização para a importância da Pesquisa Clínica e assim sensibilizar as autoridades competentes, no sentido de melhorar o diálogo e reduzir os prazos de avaliação, por meio da racionalização do processo e da descentralização do sistema de avaliação. Já a expectativa de médio/longo prazo é conduzir a elaboração de um Projeto de Lei que regulamente a Pesquisa Clínica no Brasil.

O encontro de abril teve, também, a finalidade de debater o tema com a imprensa e explicar as prioridades do movimento. Estiveram presentes representantes da ABRACRO (Associação Brasileira de Organizações Representativas de Pesquisa Clínica), do Instituto Oncoguia e Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, todos os membros do Comitê Gestor da Aliança e convidados como o Florentino Cardoso (presidente da AMB), Sérgio Nishioka ( coordenador geral de pesquisa clínica do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde) e Jose Nicolau (professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) .

A SBEM e sua Comissão de Pesquisa vêm alertando sobre o tema há algum tempo e atuando para pressionar as autoridades a uma tomada de atitude. Segundo o Dr. Luis Augusto Russo, membro da Comissão da SBEM comenta que as expectativas do grupo são as melhores possíveis.  que estão muito otimistas.  “Estamos muito otimistas com o a ALIANÇA que se forma, pois congrega todas as vertentes, de pacientes voluntários à pesquisadores, de autoridades à patrocinadores.

Segundo o Dr. Luis Augusto Russo, a proposta vem de encontro dos anseios da sociedade e dos cidadãos. “Em recente Audiência Pública no Senado, a Senadora Ana Amélia Lemos realçou a preocupação com a Pesquisa Clínica no Brasil, solicitando a formação de um GT (Grupo de Trabalho com membros do Ministerio da Saude/DECIT, CONEP, ANVISA, AMB e pesquisadores, com prazo de 60 dias para avançar no tema, buscando a  melhora urgente dos prazos, a burocracia, a transparência e um melhor ambiente regulatório”.

A SBEM e sua Comissão continuarão acompanhando de perto e divulgando as informações para o público e seus associados.