ADA 2009: Repercussão

relogio 08/06/2009 - 17:57

O ADA 2009, Congresso da American Diabetes Association, aconteceu entre os dias 5 e 9 de junho, na cidade norte-americana de New Orleans. Apesar de ser um evento direcionado para profissionais de saúde, foi aberto um grande espaço para o público, o que chamou a atenção da imprensa norte-americana.

Alguns trabalhos e novidades foram destaques do evento, com informações importantes não só para os profissionais de saúde, mas também para os pacientes com diabetes. O Sistema CGM e a Bomba de Infusão estão entre alguns dos destaques nos primeiros dias que interessam a pacientes e especialistas. A mudança do estilo de vida, apesar de ser assunto freqüente em todos os eventos de diabetes, continua sendo um dos mais importantes e de difícil aplicação.

Sistema CGM Continua a Progredir

Os aparelhos de monitoramento contínuo da glicemia (CGM) fornecem informações que permitem que os pacientes façam um melhor tratamento do diabetes. Além disso, permitem reduzir alguns perigos associados. Foi um dos temas abordados durante o simpósio “Continuous Glucose Monitoring – Clinical Update” foram Dr. Steven V. Edelman (Professor de Medicina da Universidade da Califórnia), Dr. Howard A. Wolpert (médico do Joslin Diabetes Center), Dr. William H. Polonsky (psicólogo, fundador e diretor do Behavioral Diabetes Institute) e Dra. Lois Jovanovic (médica do Sansum Diabetes Research Institute).

Segundo os especialistas, vários fatores podem afetar as variações glicêmicas durante um dia. Os glicosímetros usados em casa dão uma informação de momento e não é possível saber como a glicemia tem variado. Com o CGM, as variações de glicemia são observadas, de modo a preveni-las e a adequar o tratamento ao dia-a-dia do paciente.

Os palestrantes abordaram como o aparelho, cuja primeira versão surgiu há três anos, tem evoluído desde então. Além de os CGMs estarem mais precisos e mais fáceis de usar, também estão surgindo softwares que analisam as informações de glicemia coletadas por esses equipamentos. Especialistas acreditam que, em pouco tempo, as informações possam estar disponíveis em telefones celulares.

Outro assunto abordado pelos palestrantes foi o aspecto psicológico envolvido durante o uso do CGM. Alguns especialistas defendem que os pacientes não devem ver os números das glicemias medidas durante o dia, pois isso poderia causar uma tensão exagerada pela perfeição, um excesso de cuidados.

Por fim, foi discutida a importância do uso do CGM durante a gravidez. Isso pode trazer benefícios tanto para a mãe com diabetes tipo 1, quanto para o bebê, prevenindo complicações e má formação congênita, por exemplo.

Avanços Tecnológicos na Bomba de Insulina

Os palestrantes do simpósio “Pump Therapy” foram Dra. Nancy Bohannon (diretora de pesquisas clínicas do Cardiovascular Risk Reduction Program no Hospital St. Luke, em São Francisco, EUA), Dr. Christopher Sadler (médico assistente no Diabetes and Endocrine Associates em La Jolla, Califórnia), Dr. Bruce Buckingham (diretor de endocrinologia pediátrica no Santa Clara Valley Medical Center) e Dr. Bruce Bode (médico do Atlanta Diabetes Association).

Eles disseram que continuam sendo feitos estudos para o aprimoramento da bomba de insulina, que estão permitindo que o equipamento chegue cada vez mais perto de se tornar um pâncreas artificial. Especialistas discutiram o que há no mercado e o que estará disponível dentro de algum tempo.

Segundo os palestrantes, a tendência é o uso das patch pumps, mais discretas e que não necessitam de cânulas para seu funcionamento. Várias delas estão aguardando aprovação do FDA (Food and Drug Administration, órgão norte-americano equivalente à Anvisa) para serem comercializadas nos Estados Unidos. Além disso, estão sendo feitas mudanças nas telas das bombas e as novas versões possuem a possibilidade de download dos dados armazenados. Algumas dessas novas bombas vão fornecer doses basais de insulina, enquanto outras terão as doses de bolus disponíveis. Os métodos de transporte da insulina variam entre cânulas, sistema microfluídico, nanobomba e sistema transdérmico.

Mesmo com as facilidades disponíveis, os médicos alertam que os equipamentos devem ser usados por pacientes com diabetes que estejam conscientes de seu uso. Caso contrário, o equipamento se torna apenas um adorno sem utilidade e o bom controle não será conseguido.

Para o futuro, os especialistas apostam que os aparelhos de medição de glicemia e bombas de insulina se tornem um equipamento único. Além disso, designers devem dar um visual mais atrativo e colorido para as bombas e que será possível uma conexão wireless entre CGMs e telefones celulares do tipo smart phone.

Estudos Ressaltam Importância das Mudanças no Estilo de Vida

O simpósio “Lifestyle Changes that Last – Evidence from Prevention Trials” analisou os benefícios causados por mudanças no estilo de vida concentradas em alimentação, exercícios físicos e monitoração do peso. Essas atitudes podem atrasar o aparecimento do diabetes tipo 2 ou até mesmo prevenir seu aparecimento, bem como ajudar no tratamento. Essas mudanças podem ser notadas na saúde pública e na prática clínica.

Discutiram o assunto os palestrantes Dra. Felicia Hill-Briggs (coordenadora do simpósio e professora associada de Medicina do John Hopkins School of Medicine), Dr. Ping Zhang (do Centers for Disease Control and Prevention, Division of Diabetes Translation), Dra. Jaana Lindstrom (do National Public Health Institute, de Helsinque, Finlândia), Dr. David G. Marrero (da divisão de Endocrinologia e Metabolismo da Indiana University School of Medicine), Dr. Thomas A. Wadden (do University of Pennsylvania Health System) e Dra. Judith E. Fradkin (da divisão de Diabetes, Endocrinologia e Doenças Metabólicas do National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Disease).

O objetivo das apresentações foi ressaltar as intervenções feitas para as mudanças do estilo de vida em vários estudos clínicos, as estratégias e abordagens usadas e o que obteve sucesso ou não. Com isso, espera-se que os profissionais de saúde possam aplicar o que foi sugerido para incentivar os pacientes a terem atitudes mais saudáveis.

Os especialistas consideram que é muito difícil fazer mudanças no estilo de vida, por isso, deve ser feito um trabalho de educação, que é a chave para se obter boa aceitação das informações e bons resultados finais. Na maior parte das vezes, quem educa os pacientes em relação às mudanças são os médicos e enfermeiros, mas os demais profissionais de saúde também podem participar ativamente desse processo.

Os estudos apresentados no simpósio tiveram foco em mudanças na alimentação, exercícios físicos e controle de peso. As estratégias utilizadas em cada um deles variaram entre combinações de abordagens individuais e em grupo, estabelecimento de metas, educação, seguimento do paciente.

Repercussão na Mídia

A cobertura e divulgação feita pela American Diabetes Association, em geral, mobiliza a imprensa americana, que dá espaço para diversos assuntos. A seguir alguns pontos que despertaram muito interesse entre os veículos de comunicação nos Estados Unidos.

O destaque no site da CNN health foi a abordagem quanto à urgência de um novo screening para diabetes.

Na rede ABC News, a reportagem faz uma pergunta simples a diversas pessoas: “você tem diabetes?” A resposta dos entrevistados era “não”. Na sequência, o reporter pergunta como ela sabe e a resposta e alguns afirmam que não tem idéia. O Dr. David Nathan é um dos especialistas que fala sobre o tema (video).

Já um dos destaques do USAToday é a pesquisa apresentada pela Universidade de Pittsburgh Graduate School of Public Health sobre diabetes e as doenças coronarianas. Também no site da MSNBC de notícias, o estudo foi um dos mencionados na edição desta segunda-feira (8 de junho).

As informações ainda se espalharam pela rede social Facebook, que faz muito sucesso entre os americanos, sendo que os tópicos estão voltados para as questões legais no tratamento e depoimento de pacientes.