8º Copem

relogio 15/05/2009 - 15:24
Cobertura local, Luciana Tierno*

De 7 a 9 de maio cerca de 1.200 endocrinologistas, principalmente de São Paulo, se reuniram para o 8º Congresso Paulista de Endocrinologia e Metabologia, presidido pelo Dr. Mário Abdalla Saad. Dentre os temas da programação científica, destacaram-se alguns assuntos: a relação da apnéia do sono com o aumento da gordura abdominal, o risco de diabetes e doenças cardíacas; a deficiência de vitamina D, que prejudica o metabolismo ósseo e a força muscular; e a utilização de transplante de células-tronco no tratamento do diabetes tipo 1.

  • Apnéia do sono provoca aumento da gordura abdominal, risco de diabetes e doenças cardíacas
Um estudo apresentado pela Dra. Maria Tereza Zanella, professora titular da disciplina de Endocrinologia do Departamento de Medicina da Unifesp, mostrou a relação entre a obesidade, Síndrome Metabólica e a apnéia do sono.

De acordo com a apresentação, a maioria dos obesos que ronca e tem gordura localizada na região do tórax e abdômen sofre de apnéia do sono. A falta de oxigênio atuaria como condição de estresse e provocaria alterações metabólicas associadas ao aumento da gordura abdominal e maior risco de diabetes.

Segundo a doutora, com a falta de oxigênio no cérebro, o organismo libera cortisol de forma excessiva, num momento em que o corpo deveria produzi-lo em menos quantidade, o que causa alterações de metabolismo como aumento de glicemia, pressão arterial, lípides e centralização de gorduras. O tratamento seria: redução de peso e, nos casos mais graves, uso de aparelho para facilitar a entrada de ar.
  • Brasil utiliza transplante de Células-tronco no Tratamento do Diabetes Tipo 1
Novidades na busca da cura do diabetes também foram apresentadas no COPEM. A principal delas é a utilização do transplante de células-tronco, medida que beneficia apenas os pacientes que estão no início do diabetes tipo 1.

O tratamento consiste na imunosupressão, ou seja, um desligamento do sistema imunológico, através de quimioterapia, com o intuito de preservar as células beta ainda existentes. De acordo com a Dra. Maria Cristina Foss Freitas, endocrinologista da SBEM-SP e médica da disciplina clínica da USP – Ribeirão Preto, dos 23 pacientes submetidos ao tratamento, 11 estão livres da insulina há 36 meses.
  • Cirurgia bariátrica Normaliza Presença de Insulina em Pacientes com Diabetes Tipo 2
Uma pesquisa apresentada pelo Dr. Marcos Tambascia, endocrinologista da Unicamp e membro da SBEM-SP, mostra que pacientes com obesidade mórbida, associada ao diabetes tipo 2 e submetidos a cirurgia bariátrica, demonstram boa evolução no controle da doença, com normalização da glicemia e dos níveis de insulina no organismo.

A cirurgia é indicada apenas a pacientes com diabetes com IMC maior que 40 e que não reduzem o peso por métodos tradicionais no tratamento.
  • Deficiência de vitamina D prejudica o metabolismo ósseo e a força muscular
A Dra. Marise Lazaretti Castro, presidente da SBEM-SP, apresentou um estudo que mostrou que a falta de vitamina D pode causar problemas no metabolismo ósseo e a força muscular. Segundo a médica, o Brasil precisaria criar um medicamento para suprir a falta de vitamina D na população do país, o que prejudica a saúde, principalmente os idosos. De acordo com um estudo recente, 40% da população acima de 65 anos sofrem com a falta de vitamina D.

Para ela, medidas simples como tomar sol e alimentação baseada em peixes de água fria (bacalhau e salmão), são ótimas fontes de vitamina D.
  • O Gene SHOX Pode Explicar a Causa da Baixa Estatura de Casos Familiares
Pesquisa apresentada no COPEM pelo Dr. Alexander A. L. Jorge, médico da Disciplina de Endocrinologia e Metabologia da Faculdade de Medicina da USP, mostra que avanços na genética podem explicar as verdadeiras causas da falta de crescimento em adolescentes. O gene SHOX, um dos que regulam o crescimento, quando apresenta defeito, é causa da baixa estatura.

De acordo com o especialista, avaliações genéticas tendem a ser, a cada dia, mais corriqueiras, a fim de avaliar causas de problemas metabólicos. Com os exames, o médico terá informações suficientes para propor o melhor tratamento. Segundo o doutor, no futuro, os médicos poderão individualizar as doses de remédios indicados, baseados no conhecimento genético.


* Fonte: Tierno Press – Assessoria de Imprensa do 8º Congresso Paulista de Endocrinologia e Metabologia (Copem)