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XV SINE

Começou, São Paulo, no dia 21 de abril, o XV Simpósio Internacional de Neuroendocrinologia. O evento, encerrado dois dias depois, foi aberto pelo prof. Julio Abucham, presidente do congresso, e pela professora Monica Gadelha, presidente da comissão cientifica com uma homenagem ao Prof. Bernardo Liberman por toda sua contribuição a neuroendocrinologia brasileira.

Com as inscrições esgotadas, segundo divulgou o site do evento, o SINE mais uma vez comprova a importância da atividade dentro do cenário científico nacional. O Dr. Leando Kasuki fez um balanço de alguns dos principais debates ocorridos, que podem ser lidos a seguir.

Tecido Adiposo e Sistema Nervoso Central


Diversos assuntos foram discutidos ao longo do tarde do primeiro dia, como os polimorfismos do eixo somatotrófico e as peculiaridades do tratamento do hipogonadismo. O destaque do dia foi a palestra do Prof. Randy Seeley, renomado pesquisador da University of Cincinatti, que apresentou diversos aspectos da interação entre o tecido adiposo e o sistema nervoso central no controle do peso corporal. O palestrante apresentou estudos promissores em animais com o uso de drogas inibidoras da angiogênese no tecido adiposo.

Patogênese da Acromegalia

A Profa. Mônica Gadelha apresentou uma palestra sobre a patogênese da acromegalia, destacando o papel de um "velho" e de um "novo" gen. O velho gene é o gsp, cuja mutação leva a ativação constitutiva da proteína Gs, e que está descrita em cerca de 30% dos adenomas hipofisários. Esses pacientes apresentam melhor resposta aos tratamentos atualmente disponíveis (análogos da somatostatina e agonistas dopaminérgicos).

A novidade apresentada pela Dra. Monica, em relação a este gene, foi um trabalho do seu grupo, onde mostrou que a ativação da proteína G leva a um aumento da transcrição dos receptores de somatostatina (principalmente subtipo 2) e da dopamina ( DR2), o que seria uma possível explicação para melhor resposta terapêutica dos pacientes carreadores de mutação .

O "novo" gene, implicado na patogênese dos somatotropinas, é o da proteína de interação com receptor aril hidrocarbono (aryl hydrocarbon receptor interacting protein ou AIP). Mutações do AIP foram descritas pela primeira vez em 2006, por um grupo da Finlândia, e está presente em 15% dos adenomas familiares isolados e em 50% dos somatotropinomas familiares isolados.

Em tumores esporádicos, mutações germinativas foram descritas em um menor número de pacientes, porém nenhuma mutação somática foi apresentada, até a presente data. Apesar disso, dois trabalhos na literatura já demonstraram uma menor expressão protéica da AIP em somatotropinomas agressivos, mostrando que esse gene, provavelmente, é importante na progressão dos somatotropinomas e que outros mecanismos, diferentes da mutação, podem estar envolvidos na redução da expressão desta proteína.

Tratamento da Acromegalia

O Prof. Peter Trainer, da University of Manchester, apresentou aspectos importantes do uso do Pegvisomant no tratamento da acromegalia. Ele abordou a questão do possível aumento tumoral durante o tratamento, mostrando que até a presente data não há dados que comprovem uma maior incidência de aumento tumoral, em comparação com outras modalidades terapêuticas previamente utilizadas.

Outro aspecto interessante abordado foi o esquema posológico a ser empregado. O Prof. Trainer apresentou dados para mostrar que as doses, utilizadas nos estudos iniciais, eram menores do que as que se mostraram mais efetivas na prática clínica.

A farmacocinética da droga permite uma aplicação semanal, desde que utilizada a dose correta de 1 mg/kg. Para comprovar essas afirmações, ele apresentou um estudo de seu grupo, em que sete pacientes bem controlados com aplicações diárias da medicação foram tratados com doses proporcionais com aplicação semanal. Os cinco pacientes, que completaram o estudo, se mantiveram bem controlados e optaram por manter esse esquema posológico.

Acromegalia e Gestação

No simpósio sobre acromegalia e gestação, a Dra. Monike Dias descreveu a evolução, normalmente favorável, das gestantes acromegálicas.  Geralmente, não se observa aumento da incidência de diabetes gestacional e a associação com hipertensão arterial não foi estudada.

O tamanho tumoral, normalmente, se mantém estável. Ressaltou ainda, que poucos relatos de caso demonstraram o uso de octreotide durante a gestação, porém não foram descritos, até o momento, efeitos desfavoráveis para a mãe e para o feto.

Por último, a Dra. Monike descreveu que na maioria dos relatos de caso foi descrita uma diminuição do GH ao longo da gestação, porém isso pode ser efeito da interferência do GH placentário no ensaio do GH. O grupo da UNIFESP desenvolveu um ensaio livre de interferência, mostrando que nas pacientes analisadas por eles, os níveis reais de GH eram muito maiores.  
       
Adenomas Hipofisários

O Dr. Leonardo Vieira Neto descreveu os tratamentos medicamentosos já em estudo e as perspectivas para o tratamento dos adenomas hipofisários, clinicamente não funcionantes. Estes, são uma classe de adenomas hipofisários sem tratamento clínico estabelecido.

O destaque para os medicamentos já em estudo são os agonistas dopaminérgicos, que tem pesquisas promissoras, porém com casuística pequena. Em relação às perspectivas futuras, o Dr. Leonardo destacou os estudos promissores em culturas de células com o pasireotide, as moléculas quiméricas (que se ligam aos receptores de dopamina e somatostatina) e com o Everolimus.

O encerramento do congresso foi feito com a entrega dos prêmios aos melhores trabalhos inscritos.

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