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Quando Crescer Pode Ser um Problema

Uma das grandes preocupações dos pais com relação à saúde de seus filhos diz respeito ao crescimento. O questionamento mais frequente, com grande número de perguntas enviadas ao site da SBEM, é se a criança não está desenvolvendo a estatura normalmente. Entretanto, especialistas alertam que é importante se preocupar também com a situação inversa, ou seja, quando o crescimento acontece acima dos padrões considerados normais.

O endocrinologista pediatra Luiz Cláudio Castro, membro da Comissão de Comunicação Social da SBEM, explica que a alta estatura, na maioria das vezes, é o resultado do potencial genético da criança, por ser filha de pais altos. Esse quadro é chamado de alta estatura constitucional ou familiar. “Nesse grupo de crianças, a preocupação maior dos pais é com as meninas, pelo receio de que venham se tornar mulheres muito altas, com problemas posturais ou descontentes com o tipo físico, muitas vezes decorrentes de questões sociais”, diz o médico.

O médico explica, também, que em outros casos a alta estatura ou o rápido ritmo de crescimento pode ser a manifestação de alguma doença, como por exemplo, a puberdade precoce. Neste caso, surgem outros sinais associados como os caractéres puberais, precocemente. Dr. Luiz Cláudio explica que síndromes genéticas também estão entre as causas do excesso de altura, e destacou algumas delas:

•  Síndrome de Klinefelter - afeta apenas homens, geralmente se caracteriza por magreza excessiva e um hipodesenvolvimento dos órgãos genitais.

•  Síndrome de Sotos - as crianças são grandes ao nascer, com o perímetro cefálico grande, crescem muito no primeiro ano de vida, apresentam hipotonia muscular e comprometimento cognitivo. Essa síndrome também é chamada de gigantismo cerebral.

•  Síndrome de Marfan - junto com a alta estatura, os pacientes apresentam braços muito longos e hiperextensibilidade das articulações.

Hipertireoidismo - acompanhado também da protrusão dos globos oculares (que ficam projetados para fora), aumento do volume da tireoide, sudorese excessiva, tremor das mãos, perda de peso, aumento da frequência evacuatória, irritabilidade e agitação.

Gigantismo - uma causa bastante rara de alta estatura, que decorre da produçao excessiva do hormônio de crescimento por um tumor na glândula hipófise, que se localizada no cérebro.

Outras vezes não se consegue reconhecer a causa da alta estatura, e essa situação é chamada de alta estatura idiopática.

Segundo o especialista, é fundamental o acompanhamento de rotina do crescimento de todas as crianças e adolescentes, para se detectar oportunamente as situações de crescimento deficiente ou excessivo. Uma história familiar detalhada, assim como o momento em que o ritmo acelerado de crescimento se iniciou e os sinais e sintomas associados são importantes para se estabelecer a investigaçao do crescimento excessivo e reconhecer a causa. De acordo com a suspeita da causa do crescimento excessivo, há exames que nos ajudam a confirmar ou descartar essas hipóteses. “No caso de alta estatura constitucional, o tratamento para frear o ritmo de crescimento e reduzir a estatura final geralmente é indicado quando a previsão de estatura na vida adulta for maior que 183 cm para as mulheres e maior que 198 cm para os homens. Entretanto, esses valores de estatura podem e devem ser discutidos caso a caso”, explica o especialista. 

Os medicamentos utilizados nessa situação ou quando não há uma causa estabelecida (chamada de alta estatura idiopática) são os hormônios sexuais (estradiol ou testosterona), que avançam a maturação dos ossos e promovem o fechamento precoce da placa de crescimento. O momento adequado de começar o tratamento deve ser cuidadosamente analisado e definido pelo médico especialista, que é o endocrinologista ou o endocrinologista pediátrico.

Nos casos em que a alta estatura decorre de uma doença específica, Dr. Luiz Cláudio afirma que cada situação tem sua maneira de ser acompanhada e tratada. “Uma avaliação criteriosa feita pelo endocrinologista pediatra ou pelo endocrinologista é essencial para diagnosticar se a criança e o adolescente apresentam ritmo acelerado normal ou anormal de crescimento e se é preciso ou não tratar”, conclui o especialista.

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