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Perguntas Freqüentes sobre Diabetes (II)

1. Fui ao laboratório e, coletado o sangue, o resultado apontou o nível de glicemia em 102. Peso 52 kg, tenho 1,61 m, e tenho 55 anos. Por favor, oriente-me sobre esse quadro.

Em novembro de 2003, a ADA (Associação Americana de Diabetes) estabeleceu que a variação normal da glicemia (açúcar no sangue) de jejum seria de 70 a 100 mg/dL e não mais até 110 mg/dL. Atualmente, a maioria das sociedades médicas do mundo (incluindo a SBEM) adotou este novo valor de referência para a glicemia de jejum.

Quando este valor encontra-se entre 100 e 125 mg/dL (como é o seu caso), chamamos de glicemia de jejum alterada. Como pode ter sido um episódio isolado ou ter ocorrido algum erro durante a realização do seu exame, ele deve ser repetido. Caso confirme a alteração na segunda dosagem, um exame chamado de TOTG deve ser solicitado.

Para o diagnóstico de diabetes mellitus, utiliza-se a glicemia de jejum e após a sobrecarga de 75g de dextrosol (chamado de teste oral de tolerância à glicose – TOTG). A tabela abaixo resume os resultados.

CategoriasJejum2h após 75 g de dextrosolCasual
GLICEMIA DE JEJUM ALTERADA> 100 e
< 126 mg/dL
< 140 mg/dL 
TOLERÂNCIA À GLICOSE DIMINUÍDA< 126 mg/dL
E
> 140 e
< 200 mg/dL
 
DIABETES MELLITUS> 126 mg/dL
(2 vezes) OU
> 200 mg/dL
OU

> 200 mg/dL
com sintomas clássicos 

Assim, é considerado diabético aquele paciente que tiver 2 glicemias de jejum acima de 126 mg/dL ou, se na glicemia de 2 horas durante o TOTG, o valor for superior a 200 mg/dL. Além disso, em qualquer momento do dia, se o paciente tiver sintomas clássicos (sede aumentada, diurese exagera ou aumento da fome) e a glicemia for maior que 200 mg/dL, confirma-se o diagnóstico de diabetes mellitus.

O ideal é procurar um endocrinologista para confirmar a alteração glicêmica e estabelecer o diagnóstico. Além disso, o especialista irá orientar com relação à dieta adequada e atividade física, e, se necessário, prescrever o melhor tratamento para o caso.

 
2. Qual o objetivo de um médico solicitar uma insulina pós-prandial. Pode ser comparada com a jejum? Pode uma insulina pós-prandial ter o resultado inferior a basal?

Diabetes mellitus é um grupo de doenças metabólicas caracterizado por hiperglicemia (aumento do açúcar no sangue) em consequência de um defeito na secreção de insulina, na sua ação ou em ambos.

Quando existe um defeito na ação da insulina, ela encontra-se, em geral, elevada no sangue. Alguns métodos matemáticos, nos quais utilizam-se a glicemia e a insulina basais e/ou glicemia e insulina pós-prandiais, podem “estimar” se o paciente apresenta resistência insulínica ou não. É possível que a insulina basal tenha um valor maior do que a insulina pós-prandial.

O ideal é procurar um endocrinologista para confirmar o diagnóstico de diabetes mellitus, de pré-diabetes ou, preferencialmente, de nenhuma alteração metabólica.

3. Por suspeita de hipoglicemia, fiz um exame sanguíneo. Eis o resultado: insulina 26.1uu/ml ,valor de ref. 2.5 a 25 uu/ml. O que isso quer dizer?

Hipoglicemia não é uma doença, mas sim uma alteração laboratorial que pode ser conseqüência de várias doenças ou do uso de medicações.

Para que se estabeleça o diagnóstico de hipoglicemia é necessária a presença de 3 fatores: valores glicêmicos baixos (<55 mg/dL em homens e <45 mg/dL em mulheres), associados a sintomas compatíveis com hipoglicemia (sudorese, tremores, palpitações, náuseas, fome, turvação visual, sonolência, confusão e até coma) e melhora desses sintomas após administração de glicose (açúcar).

Na investigação, a dosagem de insulina deve ser feita durante a crise de hipoglicemia. Se o valor de 26,1 uU/mL foi obtido durante uma crise hipoglicêmica, isto significa que há uma produção aumentada de insulina pelo pâncreas, a qual é responsável pela hipoglicemia. A partir daí, outros exames serão solicitados. Caso esta dosagem de insulina de 26,1 uU/mL tenha vindo acompanhada de uma glicemia normal, ela não tem valor nenhum para diagnóstico.

4. É possível tratar diabetes descompensado (em 300) com comprimidos?

Atualmente existe um arsenal terapêutico muito vasto utilizado no tratamento do diabetes mellitus tipo 2. Dentre as drogas orais, existem aquelas que melhoram a secreção de insulina pelo pâncreas, aquelas de melhoram a ação da insulina e outras que diminuem a absorção de carbohidratos (açúcares) pelo intestino.

Entretanto, no caso de diabetes mellitus tipo 2 descompensado, ou seja, com glicemias acima de 250 mg/dL, o tratamento de escolha é a INSULINA. Algumas vezes, o uso da insulina é temporário. Entretanto, se o paciente já está tomando medicações orais, fazendo a dieta e atividade física adequadas e mesmo assim o diabetes continua descompensado, a utilização da insulina será mantida.

É necessário evitar a auto-medicação, principalmente no tratamento do diabetes mellitus.

O ideal é procurar um endocrinologista para confirmar o diabetes mellitus descompensado. O especialista irá orientar com relação à dieta e atividade física, e prescrever o melhor tratamento para o caso.

5. Uma pessoa que toma insulina e está com o diabetes controlado, pode passar a tomar comprimidos?

Não é apenas o controle glicêmico que define o tipo de tratamento. É necessário uma avaliação mais completa, como o que levou ao uso de insulina (infecção/quadro agudo), a presença ou não de resistência insulínica, idade, dentre outros.

Em alguns casos é possível, sim, principalmente quando a causa para o uso de insulina foi uma descompensação aguda e não um esgotamento crônico da célula beta. Mas é necessário avaliação bastante criteriosa, que deve ser realizada pelo endocrinologista.

6. Quais são os benefícios do exercício sobre o sistema endócrino?

Quando um indivíduo inicia uma atividade física utiliza a glicose muscular como primeira fonte de energia. Posteriormente, há consumo dos estoques de glicogênio muscular e hepático. O glicogênio hepático, sofre ação da Glicose 6 fosfatase e é convertido em glicose, enquanto que o glicogênio muscular, por ausência da referida enzima, necessita da via piruvato para produção da glicose. Com a manutenção da atividade física, há redução da glicemia, com diminuição dos níveis de insulina e aumento do glucagon. Estas modificações hormonais culminam com aumento da produção hepática de glicose, através dos processos glicogenólise e gliconeogênese. Com a persistência da atividade física, outros hormônios contra-reguladores como adrenalina, noradrenalina, GH e cortisol são liberados na circulação incrementando ainda mais a produção hepática de glicose e lipólise. Os triglicerídeos são então quebrados em ácidos graxos livres, os quais servem de combustível para os músculos, havendo gradual redução na utilização da glicose e aumento da captação de ácidos graxos livres pelos músculos.

O exercício físico moderado e regular leva a efeitos na função muscular, com mais eficiente uso da energia. A realização de exercícios regularmente aumenta a quantidade de enzimas mitocondriais dos miócitos, o número de fibras musculares de contração lenta, assim como gera o desenvolvimento de capilares musculares. Além disto, facilita a translocação de transpostadores de glicose sensíveis à insulina (GLUT-4) dos estoques intracelulares para a superfície celular, justificando, possivelmente, os benefícios observados na sensibilidade insulínica. De maneira prática, o exercício físico facilita a utilização da glicose pelo organismo.

7. O paciente diabético pode consumir vinho tinto? Qual a dose recomendada?

O vinho tinto não é contra-indicado para o diabético. Cada taça de vinho tem aproximadamente 130 kcal e 7g de glicose. Portanto, deve ser usado com moderação e seu valor calórico e glicídico devem ser incluídos no cálculo da dieta.

De modo geral, o consumo deve ser limitado a uma taça ao dia.

8. O que é hipoinsulismo e qual sua causa?

Hipoinsulinismo é a deficiência de insulina no organismo. A falta de insulina pode acarretar o diabetes, elevando assim a taxa de açúcar no sangue.

A redução nos níveis de insulina são determinadas por:

1) Agressão auto-imune ao pâncreas (formação de anticorpos contra as próprias células), típico do Diabetes Tipo 1.
2) Deterioração da capacidade funcional do pâncreas pela crescente resistência à insulina, mais característico do diabetes tipo 2.

Quanto aos casos de DM1, é difícil evitar a agressão auto-imune, apesar de inúmeras tentativas para tal.

Já a resistência insulínica pode ser evitada com perda de peso (manutenção de peso adequado) e atividade física regular.
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