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Cirurgia Bariátrica e o Diabetes Tipo 2 Desde que o tema "Cirurgia Bariátrica e o Diabetes Tipo 2" surgiu, especialistas brasileiros vêm discutindo o tema, incansavelmente, dentro das mais variadas atividades científicas, de fóruns a pequenos encontros. No EndoRecife foi uma das mesas-redondas que encerrou a programação do evento e, com sala cheia, mesmo com tempo bom e sol do lado de fora. Dois debatedores levantaram questões controversas que inquietaram os congressistas. O Dr. Bruno Geloneze (SP) e o Dr. Ney Cavalcanti (PE) afirmaram que o momento é de intensificar pesquisas para avaliação de resultados a longo prazo e não colocar a Cirurgia Bariátrica como a alternativa para o tratamento do diabetes tipo 2 em não obesos. Cirurgia Metabólica? O Dr. Bruno iniciou sua palestra com uma frase que já movimentou os participantes: “Não existe cirurgia metabólica e não temos resultados tão bons nos magros como nos obesos. Eu desconheço a cirurgia para diabetes. O que conheço é a Bariátrica com seus conhecidos efeitos metabólicos”. O especialista comentou que os resultados atuais divulgados em pacientes obesos mostram que não há cura e sim uma melhora do bom controle do paciente. O Dr. Bruno comentou, também, que existe uma preocupação com os 20% de pacientes que não melhoram com a cirurgia em obesos. Segundo o especialista, a genética é a provável responsável e, nesse caso, não há o que fazer. No slide sobre indicações, contra-indicações e perspectivas, em relação à cirurgia bariátrica e o DM 2, foram demonstradas importantes questões a serem avaliadas. Indicações baseadas em evidências:
Contra-indicações:
Perspectivas não suficientemente fundamentadas:
Perspectivas que precisam ser validadas para depois serem utilizadas na prática:
Foram 20 minutos de muitos questionamentos e observação sobre como os congressistas reagiam. Entre as questões não resolvidas no caso da cirurgia usada para o tratamento do DM2 estavam: “Quanto o paciente deve perder de peso?; Qual a melhor cirurgia?; Segurança de longo prazo versus tratamento clínico?; Predição da resposta metabólica?; Tratamento clínico anti-obesidade versus tratamento cirúrgico?; Desfechos específicos (controle glicêmico, complicações micro e macrovasculares, mortalidade relacionada ao diabetes); Quem deve ser operado? Jovens, todos, menor IMC, segurança em DM complicado?” Para o especialista, todas essas perguntas precisam de resposta. “Como falar de cirurgia metabólica se ainda existem tantas dúvidas na Bariátrica”, afirmou. A frase final da apresentação, nas conclusões, dizia que o procedimento é experimental com eficácia e segurança ainda não definidas. "Qualquer dado novo tem que ser visto com cautela, e só poderá ser considerado como uma verdade, se os resultados forem reproduzidos por grupos acadêmicos em trabalhos devidamente controlados. Novas propostas são sempre bem-vindas". Péssimo Controle Se muitos questionamentos foram expostos pelo Dr. Bruno, as dúvidas e polêmica continuaram com a apresentação do Dr. Ney Cavalcanti. Ele iniciou comentando sobre estudo feito no Brasil, antes do lançamento da insulina inalada, onde mostrou que o tratamento do diabetes está muito aquém do que seria desejável. “No nosso país, as cifras são alarmantes: cerca de 85% dos pacientes não atingem um grau de controle ideal”. Ele lembrou que durante décadas quase nenhum medicamento novo foi lançado. “A insulina nos anos 20 e as drogas orais, biguanidas e sulfas na década de 50. Muita coisa surgiu a partir dos anos 90 e também nos últimos anos”, relatou o Dr. Ney. Segundo o endocrinologista a grande esperança é que algumas dessas novas drogas possam regenerar, ou pelo menos retardar, o declínio da função das células-beta. Para o Dr. Ney, a cirurgia bariátrica é, sem dúvida, o tratamento mais eficaz para o diabetes, mas em pacientes obesos graus II e III. “Contudo, para os portadores de sobrepeso e de obesidade grau I, atualmente, só deve ser utilizado em termos de pesquisas. Os resultados disponíveis são controversos e é necessário um período de avaliação para ser adotado”. É proibida a reprodução parcial ou integral do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Diretoria Nacional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. |
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