Folha da SBEM Online
Edição nº 039 - Junho / 2009
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Cirurgia Bariátrica e o Diabetes Tipo 2

Desde que o tema "Cirurgia Bariátrica e o Diabetes Tipo 2" surgiu, especialistas brasileiros vêm discutindo o tema, incansavelmente, dentro das mais variadas atividades científicas, de fóruns a pequenos encontros. No EndoRecife foi uma das mesas-redondas que encerrou a programação do evento e, com sala cheia, mesmo com tempo bom e sol do lado de fora.

Dois debatedores levantaram questões controversas que inquietaram os congressistas. O Dr. Bruno Geloneze (SP) e o Dr. Ney Cavalcanti (PE) afirmaram que o momento é de intensificar pesquisas para avaliação de resultados a longo prazo e não colocar a Cirurgia Bariátrica como a alternativa para o tratamento do diabetes tipo 2 em não obesos.

Cirurgia Metabólica?

O Dr. Bruno iniciou sua palestra com uma frase que já movimentou os participantes: “Não existe cirurgia metabólica e não temos resultados tão bons nos magros como nos obesos. Eu desconheço a cirurgia para diabetes. O que conheço é a Bariátrica com seus conhecidos efeitos metabólicos”. O especialista comentou que os resultados atuais divulgados em pacientes obesos mostram que não há cura e sim uma melhora do bom controle do paciente. O Dr. Bruno comentou, também, que existe uma preocupação com os 20% de pacientes que não melhoram com a cirurgia em obesos. Segundo o especialista, a genética é a provável responsável e, nesse caso, não há o que fazer.

No slide sobre indicações, contra-indicações e perspectivas, em relação à cirurgia bariátrica e o DM 2, foram demonstradas importantes questões a serem avaliadas.

Indicações baseadas em evidências:

  • IMC > 35
  • Diagnóstico recente
  • Motivação elevada
  • Risco anestésico-cirúrgico aceitável
  • Pacientes mais jovens (< 60 anos)
  • Falência de perda de peso
  • Presença de Síndrome Metabólica

Contra-indicações:

  • Doença coronariana instável
  • Baixa motivação
  • Distúrbio de comportamento alimentar, alcoolismo e drogas
  • Nefropatia avançada
  • Suporte social escasso

Perspectivas não suficientemente fundamentadas:

  • Obesidade grau I (IMC entre 30 e 35)
  • Idade > 60 anos
  • LADA
  • Adolescente

Perspectivas que precisam ser validadas para depois serem utilizadas na prática:

  • Outras técnicas: exclusão duodenal (cirurgia de Rubino), interposição ileal, etc.
  • Dispositivos endo-luminais

Foram 20 minutos de muitos questionamentos e observação sobre como os congressistas reagiam. Entre  as questões não resolvidas no caso da cirurgia usada para o tratamento do DM2 estavam: “Quanto o paciente deve perder de peso?; Qual a melhor cirurgia?; Segurança de longo prazo versus tratamento clínico?; Predição da resposta metabólica?; Tratamento clínico anti-obesidade versus tratamento cirúrgico?; Desfechos específicos (controle glicêmico, complicações micro e macrovasculares, mortalidade relacionada ao diabetes); Quem deve ser operado? Jovens, todos, menor IMC, segurança em DM complicado?”

Para o especialista, todas essas perguntas precisam de resposta. “Como falar de cirurgia metabólica se ainda existem tantas dúvidas na Bariátrica”, afirmou. A frase final da apresentação, nas conclusões, dizia que o procedimento é experimental com eficácia e segurança ainda não definidas. "Qualquer dado novo tem que ser visto com cautela, e só poderá ser considerado como uma verdade, se os resultados forem reproduzidos por grupos acadêmicos em trabalhos devidamente controlados. Novas propostas são sempre bem-vindas".

Péssimo Controle

Se muitos questionamentos foram expostos pelo Dr. Bruno, as dúvidas e polêmica continuaram com a apresentação do Dr. Ney Cavalcanti.  Ele iniciou comentando sobre estudo feito no Brasil, antes do lançamento da insulina inalada, onde mostrou que o tratamento do diabetes está muito aquém do que seria desejável.

“No nosso país, as cifras são alarmantes: cerca de 85% dos pacientes não atingem um grau de controle ideal”. Ele lembrou que durante décadas quase nenhum medicamento novo foi lançado. “A insulina nos anos 20 e as drogas orais, biguanidas e sulfas na década de 50. Muita coisa surgiu a partir dos anos 90 e também nos últimos anos”, relatou o Dr. Ney. Segundo o endocrinologista a grande esperança é que algumas dessas novas drogas possam regenerar, ou pelo menos retardar, o declínio da função das células-beta.

Para o Dr. Ney, a cirurgia bariátrica é, sem dúvida, o tratamento mais eficaz para o diabetes, mas em pacientes obesos graus II e III. “Contudo, para os portadores de sobrepeso e de obesidade grau I, atualmente, só deve ser utilizado em termos de pesquisas. Os resultados disponíveis são controversos e é necessário um período de avaliação para ser adotado”.


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NESTA EDIÇÃO
Editorial

- Décima Segunda Edição do EndoRecife

Matérias:

- Vitamina D: Efeitos Extraesqueléticos

- O que Fazer no Baixo Peso?

- Os Medicamentos do Futuro para DM2

- Repercussão na Imprensa de Pernambuco

- Hirsutismo: Ponta de um Iceberg

- A Queda dos Hormônios no Homem

- Novos Fármacos para Diabetes: Comentários dos Brasileiros

- Encerramento


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