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Afinal, o que São as Anfetaminas?

Diversos equívocos vêm sendo veiculados nas recentes reportagens sobre o uso de anfetaminas no tratamento da obesidade. No primeiro trimestre deste ano, a grande imprensa divulgou, erroneamente, que um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) apontava que o Brasil é o recordista na prescrição de anfetaminas para o tratamento do sobrepeso. Ainda segundo essas reportagens, os endocrinologistas seriam os responsáveis por essa situação. O Dr. Amélio Godoy Matos, ex-presidente da SBEM, explicou porque essas informações são inverídicas.

Em primeiro lugar, é necessário entender que as anfetaminas foram banidas das prateleiras das farmácias brasileiras há alguns anos. Se no país há algum consumo da droga, ele é feito de forma ilícita e, em geral, como entorpecente. Outro ponto importante a ser ressaltado é que esse estudo foi desenvolvido pela Junta Internacional de Fiscalização de Narcóticos das Nações Unidas. Ou seja, o estudo é de responsabilidade de uma comissão que investiga o uso de drogas ilícitas e não de fármacos legais, o que põe em cheque a acusação de que os endocrinologistas estariam prescrevendo a substância.

“Há um erro grave daqueles que chamam de anfetaminas os remédios para emagrecer que ainda existem no mercado. Eles não são anfetaminas. São a dietilpropiona e o femproporex”, derivados feniletilamínicos, a mesma molécula que deu origem às anfetaminas. Mas isso não quer dizer que tenham os mesmos efeitos. “Os derivados por modificação na cadeia lateral da feniletilamina se transformam em substâncias, com seus respectivos nomes e atividades, semelhantes às das anfetaminas. Com esta modificação, o que se objetivava era modular os efeitos para serem mais inibidores de apetites, menos excitatórios e com menos grau de dependência”, explica o Dr. Godoy Matos. O fenproporex, por exemplo, metaboliza-se em numa forma de anfetamina, porém em quantidade muito pequena. Na prática clínica esta medicação tem longa história de boa tolerância e segurança.

Nos Estados Unidos, por exemplo, esses medicamentos são controlados pelo Departamento Americano de Combate aos Entorpecentes, classificados no grupo 4. As anfetaminas pertencem ao grupo 2. Essa divisão em grupos é feita pela capacidade que cada substância tem de causar dependência. As anfetaminas causam dependência e, por isso, são utilizadas no mercado negro como drogas ilícitas. As citadas dietilpropiona e o femproporex, que são utilizadas com o objetivo de emagrecer, têm pouco poder de dependência.

Cautela na Hora de Prescrever

O ex-presidente da SBEM também deixa claro que não são os endocrinologistas os principais prescritores de remédios para emagrecer, mesmo considerando qualquer classe de remédios. “Os principais prescritores são médicos que não têm a formação de endocrinologista. Na verdade, a maioria dos endocrinologistas é muito cuidadosa ao fazer esta prescrição. Em geral, os endócrinos usam os medicamentos das farmácias (industrializados) e não simplesmente os princípios ativos manipulados”.
O especialista refere-se, nesse ponto, às farmácias de manipulação e aos médicos que a utilizam para produzir prescrever medicamentos que, muitas vezes, podem ser danosos à saúde. Eis porque a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem se preocupado em regulamentar esses medicamentos. A maior parte dos problemas na utilização de medicamentos para emagrecer acontecem com remédios manipulados quando usados em associação com hormônios da tireoide, diuréticos, laxantes, calmantes e outras associações perigosas.
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