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A Endocrinologia Pediátrica

A Endocrinologia Pediátrica é uma área de atuação que requer a interação de conhecimentos pediátrico e de endocrinologia para diagnóstico e tratamento de disfunções hormonais, que se instalem desde o período neonatal até o final da adolescência (20 anos). Tais alterações hormonais determinam repercussões sobre o crescimento, o desenvolvimento e o metabolismo de um organismo em fase de maturação, devendo, por isso, serem considerados os aspectos peculiares de cada fase do desenvolvimento.

O Dr. Carlos Longui, membro do Departamento de Endocrinologia Pediátrica da SBEM, esclarece as principais dúvidas sobre as várias fases da vida da criança.

Período Neonatal

No período neonatal, as anormalidades, mais frequentemente acompanhadas, são as da diferenciação genital; hipoglicemias; hipotireoidismo congênito; e hiperplasia adrenal congênita. Nas crianças menores, predominam os quadros de crescimento deficiente, os hipotireoidismos adquiridos, diabetes mellitus tipo 1 e os sinais puberais de apresentação precoce.

Durante a adolescência, as queixas mais freqüentes estão relacionadas à falta de desenvolvimento puberal e genital, disfunções tireoideanas autoimunes, diabetes mellitus tipos 1 e 2, obesidade, etc.

Crescimento Normal

O crescimento de crianças e adolescentes deve ser vigiado, desde o nascimento até a obtenção da estatura final, utilizando-se, para isso, gráficos de crescimento populacionais, que estejam adequadamente ajustados para a população a que o indivíduo pertença. Os sinais de alerta para um crescimento inadequado são: percentis ou canais de crescimento abaixo do padrão populacional ou inferior ao esperado para o padrão genético da família, desaceleração do crescimento com relação à velocidade esperada para a idade, sexo e grau de desenvolvimento, previsão de estatura final abaixo da estatura alvo familiar.

Puberdade Precoce

Classicamente, o início da puberdade deve ocorrer entre 8 e 13 anos, nas meninas, e no período que vai dos 9 aos 14 anos, nos meninos. Puberdades que se iniciem, em meninas menores de 6 anos ou em meninos menores do que 7 ou 8 anos, são consideradas muito precoces, requerendo investigação e, freqüentemente, tratamento. Na idade compreendida entre 6 e 8 anos (meninas) e 7 e 9 anos (meninos), considera-se um período limítrofe, no qual a avaliação clínica do ritmo de desenvolvimento puberal irá definir a necessidade de investigação laboratorial ou eventual tratamento.

Quando a precocidade ou o atraso puberal se devem, respectivamente, a uma aceleração ou retardo constitucional do crescimento e puberdade (ACCP e RCCP), não há prejuízo na previsão de estatura final e a repercussão psicossocial desta variação fisiológica costuma ser de pequena intensidade.

Nesta situação, habitualmente, não há necessidade de tratamento. Quando a puberdade for realmente precoce ou tardia, a investigação da causa do processo, bem como do mecanismo pelo qual o evento puberal foi ativado, são essenciais para a correta escolha do tratamento.

Teste do Pezinho

A triagem neonatal - ou o Teste do Pezinho - deve ser realizada no momento da alta do berçário, já entre 48 e 72 horas de vida. Isso garantirá a detecção e tratamento do hipotireoidismo congênito entre 10-15 dias de vida, idade esta já estabelecida como precoce o suficiente para prevenir as alterações cerebrais. Porém um resultado negativo nesta idade não exclui a totalidade dos casos (falso negativo) e, portanto, crianças com sintomas sugestivos devem ser submetidas à avaliação laboratorial para confirmação diagnóstica, independente do resultado do primeiro teste.

Felizmente, esta falha de detecção é rara, o que torna a triagem neonatal do hipotireoidismo congênito altamente efetiva e de grande importância na prevenção da doença mental.

Obesidade e Diabetes

Embora não seja uma regra sem exceções, grande parte das crianças e adolescentes obesos também terão obesidade na idade adulta. Isso porque, além de carregarem os determinantes genéticos, tendem a manter os erros nutricionais e sócio-culturais que desencadeiam e agravam os mecanismos geradores do ganho excessivo de peso. Portanto, embora o tratamento medicamentoso não seja necessário durante essa fase, todas as medidas educacionais são essenciais para a prevenção da evolução do quadro de obesidade.

Especial atenção deve ser dada aos pacientes com história familiar de obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial e dislipidemias, já que a obesidade na infância já pode ser uma primeira manifestação clínica da resistência à insulina, envolvida na gênese da Síndrome Metabólica plenamente manifesta no adulto.

Na vida moderna já se observa, como fenômeno mundial, o aumento de casos de diabetes tipo 2 (que normalmente é desencadeado na idade adulta) em crianças e adolescentes. O fato tem sido associado ao aumento de peso e ao maior sedentarismo das crianças e adolescentes, devido às facilidades eletrônicas para o lazer, como os joguinhos computadorizados, além do aumento da oferta de alimentos, classificados como fast-foods. O controle do desenvolvimento da obesidade é de extrema importância preventiva.

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